Terça-Feira, 05 de Agosto de 2008 | Versão Impressa
Empresários adotam plano B para exportar
Exportadores de pequeno porte, que já somam 12 mil, diversificam mercado, formam consórcios e usam serviços para fugir da burocracia
Marianna Aragão
O consórcio formado com outras companhias, segundo ela, ajudou no sucesso da empreitada no exterior. "Grandes clientes não crêem que o pequeno fornecedor conseguirá atender sua demanda. O consórcio nos deu credibilidade para garantir isso."
Assim como Raquel, outros micro e pequenos empresários (MPEs) têm encontrado brechas para chegar ao mercado internacional, apesar do câmbio desfavorável à exportação. Apostando na atuação em conjunto - por meio de consórcios e feiras de negócios - e em programas de exportação simplificada, as MPEs que exportam avançam e já chegam a quase 12 mil, pouco mais da metade do total de exportadoras brasileiras. Mas ainda têm 1,8% do valor total exportado no País.
"Burocracia e processos aduaneiros complicados tornam a exportação ainda mais difícil para as MPEs", afirma o professor da Fundação Getúlio Vargas, Francisco Barone. Porém, segundo ele, essas companhias têm buscado alternativas para chegar ao mercado internacional. "A diversificação de mercado não é mais uma questão de opção, mas de sobrevivência."
A empresa MB, que fabrica estojos para instrumentos musicais, abriu novos mercados há cinco anos, por meio do programa Exporta Fácil, dos Correios. O programa facilita exportações de até US$ 20 mil, com formulários simplificados, coleta da mercadoria em domicílio e dispensa de registro. Desde a sua criação, em 2000, foram feitas 12.867 remessas.
Segundo a sócia Kátia Bonna, o programa permitiu que a companhia atendesse clientes e encomendas menores. "Antes, só podíamos trabalhar com grandes remessas, com todo o custo que isso implica." Agora, clientes de outros países acessam o site da empresa, fazem o pedido e pagam com cartão de crédito. O processo logístico e de documentação fica com os Correios. "Hoje, 30% da produção é exportada dessa forma. Fazemos em média uma transação por dia."
Outra ferramenta que têm ajudado os empresários é o Balcão de Comércio Eletrônico, do Banco do Brasil. Espécie de canal de comunicação entre exportadores e importadores, o programa emite documentos e faz entregas em parceria com empresas de logística. Segundo o BB, 7,1 mil empresas estão cadastradas no Balcão, que movimentou US$ 6 milhões em 2007.