Sábado, 09 de Agosto de 2008 | Versão Impressa
Rússia reage e invade a Geórgia
Retaliação ocorre horas após ocupação da região separatista da Ossétia do Sul por tropas georgianas; há dezenas de mortos
Ap, Afp e Reuters
A batalha em Tskinvali e áreas vizinhas, submetidas ao ataque de mísseis, foi intensa. Famílias que abandonavam a cidade falavam de prédios destruídos, corpos pelas ruas, hospitais lotados e muita gente escondida em porões. O número de vítimas variava entre "centenas de pessoas", segundo alguns, e "perto de 1.400 mortos", nas contas do presidente ossétio, Eduard Kokoity.
"Depois de tantas horas de pesado bombardeio, Tskinvali está praticamente destroçada", resumiu um comandante russo na região, Marat Kulakhmetov. Ele admitia, durante a noite, que 12 soldados russos morreram e outros 150 ficaram feridos durante o cerco à capital, realizado por cerca de 150 tanques russos.
O conflito, que de início limitou-se ao controle de Tskinvali, ampliou-se para fora das fronteiras da Ossétia do Sul na madrugada do sábado - fim de tarde no Brasil -, quando a aviação russa despejou bombas sobre bases militares georgianas, como Senaki e Vaziani, perto da capital, Tbilisi. A incursão russa incluiu instalações petrolíferas vitais para o transporte de energia até a Europa - como o porto de Poti, no Mar Negro, na Geórgia.
?INFRA-ESTRUTURA?
"A Rússia começou a bombardear nossa estrutura civil e econômica", afirmou o secretário da Segurança georgiano, Alexandre Lomaia. Ele avisou que a lei marcial seria decretada "em poucas horas" e os 2 mil soldados enviados ao Iraque, em apoio aos EUA, seriam chamados de volta. Além disso, a Geórgia decidiu mandar mais soldados para a Província de Abkházia, também separatista, aliada da Ossétia do Sul.
À noite, a diplomacia entrou firme na batalha. EUA e União Européia pediram aos dois lados que cessem os combates. Em Moscou, o presidente Dmitri Medvedev afirmou que "não ficarão impunes" os responsáveis pela morte de muitos cidadãos russos que vivem na Ossétia do Sul. Mais da metade dos 70 mil ossétios têm cidadania russa e querem que a província se junte à Ossétia do Norte, que desde o fim da União Soviética faz parte da Federação Russa.
Em Tbilisi, o presidente Mikhail Saakachvili comparou o ataque russo ao ocorrido em outras ações militares de Moscou. "É como a invasão da Checoslováquia, em 1968, quando os tanques soviéticos lá chegaram", disse ele.