Sábado, 16 de Agosto de 2008 | Versão Impressa
Apple derrota o Google e reina no Vale do Silício
Ao superar o valor de mercado da rival na Bolsa, a Apple mostra a força de seu design
Andrew Clark
As filas de compradores ansiosos para pôr as mãos no aparelho são comuns no lado de fora das lojas da Apple desde o lançamento, há um ano.
Em Wall Street, a popularidade fenomenal do telefone repercutiu numa valorização de 44% nas ações da Apple em 12 meses. Perto do encerramento do pregão na quarta-feira, o valor de mercado da Apple havia alcançado U$ 158,8 bilhões - um nadinha acima dos U$ 157,2 bilhões do Google. A predominância da Apple representa uma mudança no equilíbrio de poder no mundo da alta tecnologia. A Apple tem sido capaz de eclipsar rivais com seus designs elegantes e fáceis de usar. O iMac e o iPod continuam sendo grandes favoritos entre os compradores de computadores laptop e fãs de música.
Enquanto isso, a estrela um dia ofuscante da Google se apagou um pouco quando a desaceleração econômica repercutiu numa queda da publicidade online e os investidores começaram a se perguntar como ela conseguirá produzir lucros sólidos com investimentos caros como o site de compartilhamento de vídeos YouTube.
Scott Kessler, um analista da Standard & Poor`s, disse que as sortes gêmeas de Apple e Google eram fundamentais para o panorama tecnológico: "São as duas empresas mais identificadas com a noção de inovação - não só no Vale do Silício, mas possivelmente no mundo." O marco do valor de mercado representa uma reafirmação de sucesso de uma geração tecnológica mais velha. A Apple foi fundada pelos colegas de escola Steve Jobs e Steve Wozniak em 1976, o que faz dela uma anciã em comparação com os meros 10 anos da Google.
Para alguns especialistas, a habilidade particular da Apple é sua capacidade de se reinventar com produtos que são tipicamente mantidos em segredo até o último momento possível.
"Ela é uma das poucas companhias que tem conseguido desenvolver alguns produtos de grande sucesso e aplicações arrasadoras", disse Kessler.
Os fãs da Apple tendem a atribuir grande parte do êxito aos instintos empresariais de Jobs. Quando Jobs pareceu estar mais pálido e magro que o normal, as ações da Apple caíram por um breve período na noite de quinta-feira antes que a companhia desmentisse rumores que estava doente.
Embora Apple e Google tenham modelos de negócios completamente diferentes, elas têm um certo grau de superposição. O presidente-executivo do Google, Eric Schmidt, ocupa um assento no conselho da Apple como diretor não executivo. As sedes das empresas ficam a meros oito quilômetros uma da outra, num extenso corredor high tech ao sul de São Francisco.
Nenhuma das duas manifestou alguma reação à mudança da supremacia. Entretanto, a Apple não teve muitos pruridos em alardear suas proezas no passado. Quando o valor da empresa superou o da fabricante de computadores Dell há dois anos, Jobs enviou um e-mail aos funcionários da sua empresa lembrando-os que o fundador da Dell havia previsto a morte iminente da Apple.
"Colegas, revelou-se que Michael Dell não foi perfeito em prever o futuro", escreveu. "Ações sobem e descem, e as coisas podem ser diferentes amanhã, mas achei que isso valia um momento de reflexão hoje."
Para a Apple, o iPhone proporcionou uma vantagem em criatividade e conveniência. Quando uma versão 3G saiu no mês passado, a Apple vendeu um milhão dos aparelhos em um fim de semana. O Google é, com folga, a líder em buscas online, mas tem visto seu crescimento se desacelerar em "cliques pagos"- o número de vezes que os usuários clicam em publicidades lucrativas.