Segunda-Feira, 18 de Agosto de 2008 | Versão Impressa

A vez delas

Vôlei - Invicta, seleção de Zé Roberto rouba a cena da equipe masculina

Robson Morelli, enviado especial, Pequim

O vôlei feminino brasileiro trocou de papel com o masculino nos Jogos de Pequim. Pelo menos até agora. A sempre questionada equipe do técnico José Roberto Guimarães jogou por terra a desconfiança que pairava sobre ela antes da viagem. Mas, mesmo tendo ganho o Grand Prix, chegou a Pequim sob os olhos atentos do torcedor. A pecha de time "amarelão" persegue as meninas em momentos cruciais. O último fiasco ocorreu no Pan do Rio, quando a seleção ficou com a prata ao perder para Cuba. Foi ainda vice mundial em 2006.

O time masculino, em contrapartida, desembarcou na China na condição de favorito, mesmo tendo se dado mal na fase final da Liga Mundial no Brasil, perdendo para Estados Unidos e Rússia e ficando fora do pódio em casa. A confiança que se tinha em Giba e seus companheiros era enorme. O vôlei masculino ganhou a medalha de ouro em Atenas e caminha para o bi em Pequim.

Embora as duas seleções tenham se classificado para as quartas-de-final, quem deu show na China até agora foi a equipe comandada por Fofão, que tem em Paula Pequeno seu grande destaque. Elas venceram as cinco partidas da etapa eliminatória. Todas por 3 a 0.

"Tudo isso é muito bom. Mostra que elas estão concentradas e bastante regulares. Mas todos nós sabemos que o campeonato ?começa? agora, na fase de mata-mata. E é nesse momento que não podemos perder", diz o técnico Zé Roberto, o primeiro a admitir que a seleção terá de conviver com a desconfiança até ganhar um campeonato importante, como a Olimpíada. "Já batemos na trave várias vezes. Uma hora vai acontecer."

Além de ganhar suas partidas, o elenco feminino parece mais concentrado do que em outras ocasiões. "Nunca vi a Fabi, por exemplo, tão determinada no que ela tem de fazer na quadra, no trabalho. Ela está sendo muito positiva para o elenco em todos os sentidos. Está até brincando menos", comenta o treinador brasileiro.

Zé Roberto comemora a passagem invicta do time até agora nos Jogos. Não houve nenhum contratempo com as jogadoras, tampouco contusões. O treinador teve sempre todo o elenco à disposição. "Todas estão em excelentes condições."

Das bobeadas do passado, ninguém quer saber mais. Em Pequim, elas estão dispostas a mudar a história do vôlei feminino. Sabem que só há uma forma: ganhar o ouro e ouvir o hino nacional pela primeira vez na categoria.

Quem enfrenta a Olimpíada com mais dificuldades é a seleção masculina. A maior delas ocorreu ainda no Brasil, na Liga Mundial do Rio: um quarto lugar inesperado. "Não precisávamos passar por aquela pressão em casa. Mas decidiram fazer a fase final da Liga no Brasil. Paciência", afirma Bernardinho. Melhor do que ninguém, ele sabe o tamanho da pressão que a equipe carrega desde que ganhou o ouro em Atenas-2004.

Em Pequim, bateu o Egito na estréia com tranqüilidade. Mas foi só. Enroscou na Sérvia apesar da vitória por 3 a 1 e perdeu para a Rússia na seqüência. O pior de tudo, porém, foi a contusão do ponta Giba. O capitão sentiu uma tendinite no ombro direito e teve de ser poupado.

Não enfrentou a Sérvia. Entrou no fim contra a Rússia. O time sentiu. Também houve o bate-boca entre Bernardinho, Gustavo e Bruno. "Só espero que essas derrotas não tomem proporções ridículas na mídia. O time cresceu na partida com a Rússia. E jogou um pouco melhor contra a Polônia. Estamos na briga", dispara Bernardinho.