Terça-Feira, 19 de Agosto de 2008 | Versão Impressa
Cartas
O triste episódio relacionado ao Teatro de Cultura Artística foi analisado de forma bastante realista pelo maestro Roberto Minczuk (Cidades/Metrópole, 18/8): a alma do teatro continua intacta. Há mais pontos positivos, pois não houve nenhuma morte e o maravilhoso painel de Di Cavalcanti foi preservado, mesmo tendo o trabalho eficiente dos bombeiros sido dificultado pela falta de educação de cidadãos que haviam depredado o hidrante mais próximo. Ora, um dos serviços que presta a cultura é a educação, um ser civilizado não depreda, senta-se educadamente para assistir a um espetáculo, e o teatro deve continuar essa tarefa. Seria impossível restituir a alma, mas é possível refazer o prédio e todos podem participar desse desafio: os que já o freqüentavam e os que ainda não o conheciam e, a partir de agora, venham a conhecer, através da divulgação na imprensa. E a campanha poderia ir até mais longe. Quantas socialites em São Paulo poderiam realizar-se como protagonistas da cultura destinando à bolsa de estudos de um jovem talento musical o dinheiro que incendeiam na compra de uma bolsa nova de que nem mesmo precisam?
IRENE MARIA DELL?AVANZI
ruiarts@uol.com.br
Itapetininga
Lamentável o incêndio, bem como a falta de água suficiente para saná-lo. Tenho muito orgulho de ter assistido a excelentes peças no Teatro de Cultura Artística.
MARIA LUCIA RUHNKE JORGE
ml65@ig.com.br
Piracicaba
Petrosal, Petoro...
Na verdade, não há argumentos sólidos para a criação de uma estatal cuja função seria administrar o hipotético, até agora, mar de petróleo. Trata-se apenas da mais clara evidência do viés estatizante do atual governo. É claro que a ANP pode desempenhar a função da norueguesa Petoro. Afinal, estabelecer uma remuneração diferente para a situação de risco menor - e de investimentos nada desprezíveis - não requer uma nova estrutura. Da mesma forma que se tenta reestatizar o sistema bancário, via Banco do Brasil - vide Besc, Nossa Caixa, etc. -, o governo mostra apenas que a pretexto de pagar dívidas históricas - e o governo é um mau pagador, que o digam os detentores de precatórios - nenhum artifício será deixado de lado para que um Estado paquiderme atravanque o desenvolvimento. Para quem quer mais uma indicação basta ver o aumento da participação do governo na Vale, através do BNDES, na gestão Carlos Lessa. Essa tendência de repartir receitas e livrar-se de despesas é uma atitude que "precisa combinar com os russos". Propor aos "parceiros" novos acordos "bolivarianos" pode ser um tiro no pé. Como estamos na fase dos balões-de-ensaio, é desejável que o assunto seja repensado, a não ser que, contrariando Maquiavel, o mal seja feito aos poucos.
ALEXANDRU SOLOMON
asolo@alexandru.com.br
São Paulo
Parceria é fundamental
Nosso presidente e seu ministro Lobão (honra o nome) deveriam avaliar que a Petrobrás, antes das parcerias, teve quase 50 anos de monopólio sem encontrar as promissoras reservas. Supondo que as estimativas se realizem para baixo, digamos 40 bilhões de barris, e que consigamos retirar 50 milhões/ano, teremos reservas para 800 anos (se não mudarem as matrizes energéticas,
o que é bastante improvável). Temos, pois, pressa. Para tanto to-
da parceria é fundamental, seja com dinheiro ou com equipamentos, antes que o petróleo e seus derivados sejam condenados como poluidores, fatalmente. Não inventem modelos retrógrados, paralisantes, e dificuldades para vender facilidades. Tirem os polí-
ticos de perto da grana e o povo será beneficiado. Como já se viu com a Vale, as teles, etc. E daí que americanos possuam ações da Petrobrás? É um elogio à empresa e voto de confiança. Xenofobia, cara-pálida?
ANDRÉ C. FROHNKNECHT
anchar.fro@hotmail.com
São Paulo
Políticas sociais
Parabéns ao Estado e a seus jornalistas Leonardo Goy e Vera Rosa pela matéria sobre o marco regulatório para a extração do petróleo das reservas pré-sal da Bacia de Santos (16/8). Sou acionista da Petrobrás e não me ofendo, como alguns outros colegas acionistas que se expressaram neste Fórum. Compreendo os interesses poderosos em jogo (acionistas, grandes empresas globais e os provenientes do corporativismo da Petrobrás). O governo federal está fazendo o que os EUA, a Rússia e a Noruega já fizeram: criar um modelo que atenda aos interesses do Brasil. E muitos não sabem o que é isso. A proposta de uso dos benefícios financeiros em educação e outras políticas sociais está de acordo com a linha adotada pelo governo Lula desde o seu início.
JOÃO JERÔNIMO MONTICELI
joaojeronimo@terra.com.br
São Paulo
Lula disse que o petróleo do pré-sal é do povo brasileiro e eu quero a minha parte em dinheiro.
JOSÉ EUSTÁQUIO
eustaquio-s@ig.com.br
São Paulo
Petrochávez...
Alguém tem dúvida sobre a ingerência do sr. Hugo Chávez na insana idéia de desarticular a ANP e criar uma nova empresa estatal para controlar a bacia petrolífera brasileira? Não se trata somente da questão de criar "outra" fábrica de cabides de empregos para os aloprados e companheiros, mas, no fundo, basta fazer uma pequena comparação para notar a semelhança dos estilos de governo e administração dos recursos. Está claro o modelo de governança que o nosso ilustríssimo presidente está seguindo e que se assemelha ao do seu "muy amigo" Chávez... Desnecessário dizer que tal modelo não serve para um país com a dimensão e a representatividade mundial do Brasil, além do risco de pagarmos um preço muito alto pela falta de bom senso de parte dos nossos governantes. Basta ver o que a Venezuela representa para o mundo e o que o Brasil representa!
MAURO OTA
mauro_ota@uol.com.br
Guarulhos
A Funai e o agronegócio
Muito esclarecedor o artigo A Funai e a Federação, do professor Denis L. Rosenfield (18/8, A2), que bem mostra os exageros decorrentes de portarias e decretos para instabilizar, mais uma vez, o campo produtivo. Além do patrocínio do MST, da CPT, do Cimi, lá mencionado. Será que as diversas ONGs que atuam nessa área também não estão fazendo o jogo dos produtores de grãos de outros países, cansados de perder para nossa eficiência produtiva?
DOMINGOS MEDEIROS
dymanche@terra.com.br
Presidente Prudente
Farmácia Popular
O Ministério da Saúde esclarece que a reportagem Prefeitos aliados têm mais verbas do Farmácia Popular no ano eleitoral (18/8, A4) contém dados equivocados, que distorcem a realidade e levam a uma interpretação que não condiz com a verdade, pondo em xeque a idoneidade de um dos principais programas da pasta. O Farmácia Popular do Brasil atende 2 milhões de pessoas por mês com a oferta de 107 itens de medicamentos a baixo custo. Ao contrário do que sustenta a reportagem, neste ano foram 33, e não 351, os municípios habilitados a receber recursos federais para instalar unidades do Programa Farmácia Popular. Os números verdadeiros mostram que os critérios adotados pelo Ministério são estritamente técnicos, desprovidos de favorecimento político-partidário: das 33 prefeituras que receberam verbas para instalação do Farmácia Popular neste ano, sete são do PSDB, cinco do DEM, três do PPS, três do PTB, três do PP, duas do PMDB, duas do PSB, duas do PT, duas do PDT, duas do PL, uma do PMN e uma do PSC. O Ministério reitera que todos os municípios com mais de 70 mil habitantes estão aptos a receber o Farmácia Popular. Para aderir ao programa basta que a prefeitura preencha e encaminhe ao Ministério da Saúde proposta de adesão e termo de compromisso, ambos com formulários disponíveis na internet.
PRISCILA LAMBERT, assessora de imprensa do Ministério da Saúde
jorge.vasconcelos@saude.gov.br
Brasília
N. da R. - Em 2008, o Ministério da Saúde liberou R$ 26 milhões para a implementação e manutenção do Programa Farmácia Popular em 351 cidades. Em 73% dos casos, as cidades pertencem à base aliada.