Terça-Feira, 19 de Agosto de 2008 | Versão Impressa
Cabral e comandante do Leste entram em choque
Insatisfeito com críticas do governador do Rio, general afirma não ter ?competência legal? para autorizar uso da tropa na segurança pública
Luciana Nunes Leal
Na sexta-feira, pouco antes de encaminhar ofício ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a presença das Forças Armadas nas eleições cariocas, Cabral disse que o Comando Militar do Leste está "na mão de um general que não é muito proativo" e que "há um certo ruído" entre o comando do Exército no Rio e o governo estadual. O governador afirmou ainda que, para o comando da operação militar durante as eleições, "virão outros oficiais das Forças Armadas".
O general Silveira reagiu no dia seguinte, com a nota oficial. Nela, afirma que pedidos anteriores de utilização do Exército na segurança pública do Rio não foram atendidos "por falta de amparo legal". Segundo ele, o governo estadual não observou o "prescrito no estamento jurídico que regula o emprego da força federal na garantia da lei e da ordem nos Estados". No ano passado, Cabral chegou a pedir que as Forças Armadas atuassem na segurança do Rio durante um ano, mas não foi atendido. "Não é competência legal do comandante militar do Leste autorizar o emprego de tropa do Exército na segurança pública", diz o primeiro item da nota oficial.
EMPRÉSTIMO
Entre as ações do Exército no Rio citadas pelo comandante, está o empréstimo de mais de 400 armas, entre fuzis e metralhadoras, para a Polícia Civil do Rio e para a Superintendência da Polícia Federal no Estado. Ontem, a assessoria de imprensa do governo do Estado informou que Cabral não comentaria a nota oficial do comandante.
Tanto o Comando Militar do Leste quanto o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio informaram não ter ainda os detalhes sobre a ação do Exército na capital. Caberá ao TSE fixar as normas para o emprego das Forças Armadas. O presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, terá reuniões com os ministros da Justiça, Tarso Genro, e da Defesa, Nelson Jobim, e com Cabral antes de definir os detalhes da operação.
A discussão sobre a presença do Exército no Rio começou com a expulsão de candidatos por líderes do tráfico ou de milícias que dominam os morros da cidade. Jornalistas também foram ameaçados e a Polícia Federal apura se eleitores estão sendo intimidados.
Na semana passada, o TSE aprovou a presença do Exército no Rio. Na quinta-feira, Cabral afirmou que não faria o pedido imediatamente, mas no dia seguinte encaminhou ofício ao TSE. O vice-governador, Luiz Fernando Pezão, na sexta-feira, fez declarações contrárias ao uso do Exército e disse que há "exploração política" de candidatos que têm dificuldades de fazer campanha nas favelas.