Sexta-Feira, 22 de Agosto de 2008 | Versão Impressa

Prata! Prata... Prata?

O Brasil viveu ontem em Pequim um dia de prata. Levou três medalhas e garantiu outra. Cada uma, porém, veio com tom diferente.

A primeira do dia foi conquistada pela vela, com Robert Scheidt e Bruno Prada, na classe Star. Com atuações irregulares, estava apenas em oitavo lugar ao final da sétima das onze etapas - longe, portanto, da disputa por medalhas.

A partir daí, veio a recuperação. Com uma atuação brilhante nas três etapas seguintes, os dois chegaram à regata decisiva em terceiro lugar. Fazendo uma boa prova e contando com uma atuação decepcionante da dupla sueca (que tinha o ouro quase garantido, mas acabou com o bronze), Scheidt e Prada ficaram com a prata. Que, dadas as condições, reluziu como ouro.

No futebol feminino, a seleção brasileira fez um campeonato praticamente impecável. Do empate inicial com as alemãs, campeãs mundiais, à vitória por 4 a 1 sobre as mesmas alemãs na semifinal, a trajetória tornava palpável o sonho do ouro. Era a segunda chance para as jogadoras do Brasil, que haviam perdido a final para os EUA em Atenas-2004.

No jogo de ontem, brigaram até o fim. Tiveram chances de vencer. Mas levaram um gol na prorrogação e não conseguiram reagir. Para o Brasil, a imagem do jogo foi a de Marta, a melhor jogadora do mundo, murmurando: "Meu Deus, o que eu fiz de errado?" Para as jogadoras, foi uma prata da cor da decepção.

No vôlei feminino, as brasileiras alcançaram a semifinal em uma campanha perfeita - seis vitórias, nenhum set perdido. Mas, embora elas insistissem em negar, pairava sobre a seleção o espectro da derrota para a Rússia, na semifinal em Atenas-2004, jogo em que o Brasil vencia o quarto set por 24 a 19 e permitiu a virada.

Esse o filme voltou à cabeça quando o Brasil abriu 20 a 17 no primeiro set e deixou a China empatar. Mas, desta vez, o script mudou. Com 27/25, 25/16 e 25/22, o Brasil largou o fantasma para trás. E a garantida prata veio com a cor da esperança de que se transforme em ouro na final contra os EUA.

Já na areia, Márcio e Fábio Luiz chegaram à decisão após uma bela vitória sobre os favoritos Ricardo e Emanuel, mas sucumbiram à força da dupla americana. Uma prata de brilho menos intenso.