Domingo, 24 de Agosto de 2008 | Versão Impressa
Enfim, o ouro
Depois de tentativas frustradas, o Brasil derrota os EUA e conquista o título
Após o último ponto, num erro das adversárias, o técnico José Roberto Guimarães e seus auxiliares se juntaram, formaram uma roda e explodiram de alegria. O treinador deu a volta por cima e foi ovacionado pelos torcedores. Com justiça. Era hora de emoção e alívio. E que alívio! A vitória dos Estados Unidos no segundo set, empatando o confronto por 1 a 1, assustou. E não foi pouco. Os brasileiros na platéia e os jornalistas se perguntavam: "Será que de novo a seleção vai falhar numa final?"
O time reagiu, fechou o terceiro set, passou apuros no quarto, mas assegurou o inédito ouro, o terceiro do Brasil nesta Olimpíada. "Esperávamos um jogo difícil, como foi, mas entramos preparadas", comentou Mari. "Precisávamos nos levantar psicologicamente (depois da derrota em Atenas) e a melhor receita foi treinar, treinar e treinar." Havia sido, até então, o único set perdido pela equipe em toda a competição olímpica - vencera os 7 jogos anteriores por 3 a 0.
Assim que terminou a execução do Hino Nacional, as meninas desabaram - não apenas de choro. Elas se atiraram no chão e se abraçaram como se já estivessem realizadas e não precisassem de mais nada na vida. "Essa geração merecia muito, depois de tantos momentos difíceis, como o Pan", desabafou Walewska, um dos destaques do elenco. "Nós nos dedicamos, abdicamos de muita coisa e trabalhamos demais para chegar até aqui."
LUGAR NA HISTÓRIA
A comemoração toda é mais do que justificável. Os melhores resultados da seleção feminina haviam sido dois terceiros lugares, em Atlanta-96 e em Sydney-2000. O título não poderia ter ficado em outras mãos. As brasileiras dominaram a competição desde a primeira rodada, quando venceram a frágil Argélia por 3 a 0, até ontem, na finalíssima, diante das americanas. Trajetória impecável e que valeu a inclusão de Fofão e Fabi na seleção ideal dos Jogos de Pequim.
A histórica campanha registra oito vitórias em oito jogos, 24 sets vencidos e apenas um perdido. O desempenho da equipe vai ficar marcado para sempre. Não foi um título chorado, sofrido, com sorte, mas cheio de talento e brilho de um grupo simples e, acima de tudo, unido. "Somos os melhores do mundo, agora podemos dizer isso", destacou Zé Roberto, que anunciou ontem a permanência no comando do time feminino até a Olimpíada de Londres, daqui a quatro anos. Com novos desafios.