Segunda-Feira, 25 de Agosto de 2008 | Versão Impressa

Para ficar na memória

Tambores, ?carnaval? e clima de Cirque du Soleil marcam encerramento

Cláudia Trevisan e Valéria Zukeran, PEQUIM

Os 17 dias para os quais a China se preparou durante 7 anos chegaram ao fim ontem com outro espetáculo grandioso, que misturou circo, tambores, ópera, canções tradicionais chinesas, fogos de artifício, danças étnicas e até confete e serpentina.

Centenas de dançarinos e acrobatas ocuparam o centro do Ninho de Pássaros e entregaram à platéia um show que o próprio diretor Zhang Yimou disse seria impossível em qualquer outro lugar do mundo - com exceção da ditatorial e reclusa Coréia do Norte - em razão da escala humana e das inúmeras horas de ensaio necessárias para a obtenção do rigor exibido.

Como na abertura, no dia 8, o espetáculo começou ao som de tambores, tocados por 200 atores distribuídos nos degraus que contornavam o palco de 20 metros de diâmetro. Acima deles, flutuavam dois enormes tambores suspensos por cabos de aço e tocados por uma pessoa de cada lado.

A percussão logo ganhou a companhia de sinos, com 1.148 dançarinas que emitiam sons metálicos quando se movimentavam. Cada uma trazia no corpo luzes e 1.000 pequenos sinos, que respondiam aos sons graves dos tambores.

Não houve referência aos 5.000 anos de história chinesa, cuja grandiosidade foi o centro do espetáculo de abertura. O objetivo de ontem foi apresentar uma China amigável e não ameaçadora, apesar de sua crescente supremacia no cenário mundial.

O tema do espetáculo era "harmonia, amizade e alegria" e os principais momentos da Olimpíada foram lembrados em imagens exibidas no enorme telão em que se transformou a parte superior do Ninho de Pássaros.

Em um clima de Cirque du Soleil, 200 estudantes de kung fu "voavam" com a ajuda de botas propulsoras, enquanto outros acrobatas conduziam 60 rodas iluminadas por todo o centro do estádio.

O ápice veio na segunda parte do show, quando a pira olímpica foi apagada. Uma estrutura de 23 metros de altura, batizada de Torre da Memória, emergiu do centro do palco e foi escalada por 396 acrobatas, cujos movimentos criavam "chamas humanas". No final, 16 faixas de 43, 48 e 53 metros de cumprimento foram presas ao topo da torre e suspensas na outra extremidade por cabos, formando a imagem de uma enorme flor.

Enquanto fogos de artifício explodiam sobre o Ninho de Pássaros, atores com corpos iluminados presos a cabos de aço subiam até o topo do estádio, realizando acrobacias.

Mais descontraído e menos solene que a abertura, o encerramento teve seu momento de "gala" com o encontro "romântico" entre o tenor espanhol Placido Domingo e a soprano chinesa Song Zuying, que usava um vestido longo absolutamente brilhante.

A despedida dos atletas foi simbolizada pela escada de embarque em aviões e painéis eletrônicos anunciando partidas de vôos. O presidente do Comitê Organizador dos Jogos de Pequim, Liu Qi, lembrou que os atletas quebraram 85 recordes olímpicos e 38 recordes mundiais nos 16 dias de competições, das quais participaram 204 países.

O presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, afirmou que os Jogos serviram para o mundo aprender sobre a China e a China aprender sobre o mundo. Às 20h56, Rogge declarou encerrada a 29ª Olimpíada, o que deu início à passagem do bastão de Pequim para Londres, sede dos Jogos de 2012.

O prefeito da capital chinesa, Guo Jinlong, entregou a bandeira olímpica ao prefeito de Londres, Boris Johnson, que terá a tarefa de surpreender o mundo daqui a quatro anos, depois do espetáculo de Pequim.

No final, os chineses fizeram o que chamaram de "carnaval", com diversos cantores no palco, voluntários e atletas dançando e fogos de artifício.

Mas a única coisa que lembrava o que os brasileiros conhecem por carnaval eram o confete e a serpentina.