Sábado, 06 de Setembro de 2008 | Versão Impressa
Irmão de Denise Abreu comanda filiais da TAM na Suíça
O advogado Olten Abreu será o representante de duas novas filiais, em Genebra e em Zurique
Mariana Barbosa
Como foi amplamente divulgado na época da CPI do Apagão Aéreo, Olten Abreu já prestava serviços advocatícios para a TAM desde outubro de 2004, antes de Denise Abreu ser indicada para a Anac, em 2006.
A nova filial da TAM em Genebra funciona no endereço do escritório de Olten Abreu, na Rue du 31 Décembre 47. Conforme a ata da reunião de diretoria em que foi feita a nomeação, de 16 de junho, as duas filiais representadas por Olten são responsáveis pelas atividades de "venda e emissão de passagens aéreas" e possuem uma "gestão autônoma e independente da Companhia, inclusive com recursos operacionais próprios".
Os escritórios suíços foram abertos no mesmo dia em que a TAM e a Swiss assinaram um memorando de entendimentos visando a implementação de um acordo de compartilhamento de vôos e a integração de seus programas de milhagem.
A companhia tornou pública a informação da nomeação de Olten Abreu apenas no dia 1º de setembro, com a publicação, no jornal Valor Econômico, da ata da reunião de diretoria.
Na época da nomeação, Denise estava em evidência por ter acusado a Casa Civil de pressionar a Anac para favorecer o fundo Matlin Patterson, na compra da Varig. O fundo americano é assessorado pelo advogado Roberto Teixeira, amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A entrevista de Denise foi publicada em 4 de junho no Estado. No dia 11, ela prestou depoimento no Senado.
Procurada pela reportagem, a TAM informou que "é normal a publicação legal dessas atas meses depois da data em que a reunião foi realizada". Segundo a TAM, a indicação de Olten "como representante legal das filiais da TAM em Genebra e Zurique, na Suíça, é natural, pois ele já é advogado da companhia naquele país. Não é funcionário ou diretor da TAM."
Procurada, Denise disse que não tinha conhecimento que seu irmão havia sido nomeado representante da TAM. "Para mim isso é uma surpresa.Meu irmão é o oposto de mim. Ele não fala nada e a gente não conversa sobre clientes." Ela afirma que após o acidente da TAM, em julho de 2007, quando foi acusada de atuar em favor dos interesses da companhia, em detrimento da segurança, seu irmão foi prejudicado. "Que bom que voltaram a contratá-lo. Com tudo o que aconteceu comigo, ele chegou a perder clientes."
A possibilidade de haver conflito de interesses pelo fato de o irmão da então diretora da Anac ter relação comercial com a TAM foi objeto de análise da Comissão de Ética Pública em outubro no ano passado. A comissão absolveu Denise da acusação de que ela teria atuado em favor de interesses privados e por não ter revelado, quando era diretora, que seu irmão representava interesses de empresas aéreas. "Foram consideradas suficientes as explicações dadas pela senhora Denise Abreu e arquivados os casos referentes a suposto conflito em razão da atuação profissional do seu irmão."