Quinta-Feira, 11 de Setembro de 2008 | Versão Impressa
Colisor de partículas é ativado com sucesso
Maior experimento da história deve recriar condição similar ao Big Bang
Jamil Chade
Ontem, os cientistas conseguiram fazer circular com sucesso feixes de prótons pelo anel de 27 quilômetros de circunferência contendo 9.600 ímãs cilíndricos e resfriado a -271 °C, uma temperatura mais fria do que o espaço interestelar (mais informações nesta pág.). Eles admitiram que houve "problemas" com a temperatura dos ímãs, usados para atrair os prótons. "Mesmo assim, conseguimos tudo isso em um tempo inesperado e superamos todas as expectativas", explicou ao Estado Steve Myers, diretor do projeto.
"Noventa e cinco por cento do que existe no Universo não é conhecido por nós. Não sabemos o que é a matéria escura nem a energia escura e pensávamos que jamais seria possível descobrir. Agora, temos uma máquina que possibilitará ter respostas", disse Carlo Rubio, Prêmio Nobel de Física nos anos 80 e idealizador do LHC.
A perspectiva é de que os primeiros resultados dos choques sejam produzidos no final do ano e que meses sejam necessários para que os cientistas decifrem o que querem dizer. Mas o entusiasmo ontem era tanto que alguns já falavam em promover as colisões em poucas semanas. Choques com baixa energia já começaram a ser programados para os próximos dias.
"Todos os resultados serão divulgados ao mundo de graça. Isso pertence à humanidade", afirmou Chris Smith, ex-diretor do Cern.
O Estado acompanhou parte do processo com cerca de 500 cientistas do Cern. A cada passo correto, o grupo celebrava como em uma jogada de futebol. Mas, cautelosos, os cientistas optaram por fazer os feixes de prótons circularem pelo acelerador em etapas. "Um erro pode colocar todo o projeto em risco", explicou o brasileiro André Rabello dos Anjos, que trabalha no Cern.
Nas últimas horas antes da estréia, a equipe de engenheiros recebeu informações de quais problemas poderiam impedir o experimento. Na madrugada, uma missão foi enviada para recalibrar componentes do LHC. "Suamos. Hoje, milagrosamente, a máquina funcionou", contou Verena Kein, engenheira-chefe do complexo. "Quando eu vi os problemas que tínhamos ontem, tinha certeza de que não conseguiríamos. Graças a Deus eu estava errado", afirmou outro cientista, Tatsuya Nakada.