Quarta-Feira, 08 de Outubro de 2008 | Versão Impressa
''Ainda não é uma realidade''
Mindlin, que viveu crise de 29, está otimista
Marili Ribeiro, SÃO PAULO
Mindlin, com 94 anos, era um jovem quando tudo aconteceu, mas relembra com nitidez o impacto causado aqui. "O mundo mudou até mesmo no Brasil, onde as grandes fortunas rurais foram perdidas. Houve um êxodo para as cidades de quem conseguiu salvar alguma coisa da crise, o que acelerou o processo de industrialização do País", conta ele que, na época, então com 16 anos, trabalhava como redator de notícias no jornal O Estado de S.Paulo.
Os efeitos da grande depressão de 29 foram sentidos no mundo inteiro e, por isso mesmo, são ainda motivo de inúmeros estudos e análises . Em boa parte deles, assim como menciona o bibliófilo, países pouco industrializados no período, como a Argentina e o Brasil, são tidos como os menos prejudicados com as perdas, o desemprego e a recessão que se abateram principalmente sobre os EUA, Alemanha, França, Itália e Reino Unido. Uma das razões para tal foi a crise ter desencadeado o avanço da industrialização.
"Nos anos 30, os EUA sofreram muito, mas o Brasil nem tanto", compara Mindlin, ao tentar suavizar a crise de hoje, que também poderá ter menos impacto no País. "Não lembro de nenhuma história dramática daquele período, a não ser que, como agora, as situações escapavam a qualquer ação individual. As pessoas eram surpreendidas sem possibilidades de controlá-las", arremata.
O principal motivo de preocupação atualmente, segundo Mindlin, é forte abalo no coração do capitalismo. "Quando eles sofrem, o mundo vive as conseqüências", reflete. "Mas não vamos antecipar ainda o que pode vir a não acontecer."