Domingo, 12 de Outubro de 2008 | Versão Impressa
Na nova Câmara de SP, 40% foram alvo de investigação
Só em um caso houve condenação definitiva; algumas ações prescreveram ou o acusado foi inocentado
José Maria Tomazela e Fausto Macedo
Parte das demandas já chegou ao fim. Em vários casos, vereadores foram beneficiados pela prescrição, que é o esgotamento do prazo que a Justiça tem para punir o acusado. Em outros, a Justiça reconheceu a inocência ou arquivou por falta de provas. Há só um registro de condenação em definitivo, com pena já cumprida, mas alguns processos estão em andamento.
Há o time dos que não têm contas a acertar com a Justiça criminal, mas que são alvos da Justiça comum, em demandas de caráter civil - assim classificados atos que afrontam princípios do artigo 37 da Constituição, como o da moralidade, o da impessoalidade e o da economicidade. E existem aqueles que são alvos do Tribunal de Contas do Estado - como gestores em repartições públicas, teriam incorrido em desvios formais ou autorizado contratações que violaram a lei de licitações.
Os dados relativos às pendências dos vereadores, eleitos e reeleitos, constam dos arquivos do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Toda vez que os políticos pedem registro de candidatura devem apresentar certidões judiciais negativas e até casos antigos e arquivados reaparecem. Essas informações foram declaradas pelos próprios políticos no ato de Requerimento de Registro de Candidatura - documento imprescindível para habilitação do candidato.
Há equívocos nos assentamentos judiciais. Por causa dos homônimos, alguns políticos acabam pagando pelo que não fizeram, confundidos que são com criminosos. É o caso de Adolfo Quintas Gonçalves Neto, ou apenas Adolfo Quintas, do PSDB, reconduzido à Câmara com 34. 209 votos.
A certidão 852187 aponta 5 distribuições em nome de Quintas, todas de âmbito criminal, uma delas no Foro Regional de São Miguel Paulista, as outras 4 no Foro Central Criminal da Barra Funda. Só que o Quintas que aparece não é o vereador, mas um policial, seu xará, suspeito de estelionato, fraudes e roubo. Em todo caso, Quintas, o vereador, é alvo também de apuração sobre furto de água da Sabesp, o que ele nega.
O vereador reeleito Adilson Armando Carvalho Amadeu (PTB) responde a inquérito policial por crime contra a fé pública em razão de suposta fraude no painel de votações da Câmara, em 2007. A denúncia foi encaminhada ao Ministério Público pela ONG Voto Consciente.