Sexta-Feira, 24 de Outubro de 2008 | Versão Impressa
''Acionistas do BB podem ir à Justiça contra MP''
Entrevista - Isa Musa: vice-presidente da Unamibb; para dirigente da entidade que reúne os acionistas minoritários do banco, medida provisória foi um ?rolo compressor?
Bianca Pinto Lima, do estadao.com.br
Como a Unamibb avalia a Medida Provisória 443?
Não resta a menor dúvida de que os acionistas minoritários do BB estão apreensivos com a MP e as ações do banco podem despencar na bolsa. A Unamibb vai avaliar os riscos e, se necessário, recorrer ao Ministério Público e ir à Justiça para impedir que o BB seja forçado a realizar negócios prejudiciais não só à sua imagem, mas principalmente aos minoritários. Mas vamos esperar uma ação concreta do banco. O que não pode é o BB servir de instrumento do governo.
Qual o motivo dessa reação?
O lucro líquido do BB no quarto trimestre de 2007 foi de R$ 1,2 bilhão, ou seja, 10,8% abaixo do terceiro trimestre e 2,5% menos que o do mesmo período de 2006. Na época, os jornais ressaltaram que tais números decepcionantes aconteciam no mesmo contexto de crescimento econômico e expansão do crédito que elevou os lucros então anunciados pelos maiores bancos privados: Bradesco, Itaú e o Unibanco.
Na apresentação ao mercado, o vice-presidente do BB, Aldo Luiz Mendes, empenhou-se em justificar esse resultado e mais: anunciou que em 2008 o BB estaria de olho no resultado do balanço/2007 da Previ, o fundo de pensão dos funcionários. Como patrocinador, o BB considera que tem direito sobre os resultados superavitários do fundo, o que é um atentado à lei. Então, se o BB se sente compelido a engrossar seus números com parte do superávit da Previ, como pode se arvorar a comprar bancos? Ademais, fosse um bom negócio, os grandes bancos privados estariam festejando a oportunidade. Parece-nos mais um rolo compressor, uma ordem do alto obrigando bancos públicos a engolir sapos e prejuízos.
Na sua opinião, qual seria uma medida plausível?
Para solucionar problemas de bancos privados em dificuldades o governo poderia lançar mão do Proer. O Proer foi criado para garantir a calma e a estabilidade no sistema financeiro, assegurar liquidez e solvência ao sistema financeiro e resguardar os interesses de depositantes e investidores.