Sábado, 08 de Novembro de 2008 | Versão Impressa
BB cresce, mas não retoma a liderança
Itaú-Unibanco continuaria como líder, com R$ 515 bilhões em ativos
Renée Pereira
O BB chegaria a R$ 507,99 bilhões em ativos, abaixo dos R$ 515,84 bilhões do Itaú-Unibanco. Os dois bancos privados, que anunciaram nesta semana a megafusão, já apresentaram balanço referente ao terceiro trimestre de 2008 e, juntos, somavam R$ 575 bilhões em setembro. Banco do Brasil, Votorantim, Nossa Caixa e BEP ainda não divulgaram os resultados do período. Por isso, a comparação foi feita com base nos balanços de junho.
Segundo o presidente da Austin Rating, Erivelto Rodrigues, a compra que mais agregaria valor ao BB é a Nossa Caixa, cujos ativos somam R$ 54 bilhões. Ele diz que só em depósitos judiciais o BB teria acesso a mais R$ 16 bilhões. Isso representa ter dinheiro disponível para fazer outras operações a um custo baixo.
"Além disso, a instituição conta entre seus clientes 800 mil funcionários públicos estaduais, que podem ser foco para a venda de outros produtos", diz Rodrigues. Ele diz ainda que a Nossa Caixa tem forte presença no interior de São Paulo, região que tem crescido muito.
No caso do Votorantim, um dos principais atrativos é a carteira de financiamento de veículos, que em junho somou R$ 17,9 bilhões, segundo o analista da Lopes Filho, João Augusto Salles. O Banco do Brasil começou a explorar esse tipo de crédito há apenas dois anos.
Se os negócios do Banco do Brasil forem confirmados, a pressão sobre o Bradesco vai aumentar. Ultrapassado pelo Itaú-Unibanco, o Bradesco já está se movimentando. Demonstrou interesse pela Nossa Caixa, pelo Votorantim e agora está de olho no Safra.
Segundo o Estado apurou, o Bradesco ofereceu R$ 1 bilhão por uma carteira de crédito direto ao consumidor (CDC) do Safra e agora tenta levar todo o banco. As conversas se intensificaram nos últimos dias.
O Bradesco estaria estudando uma proposta prevendo uma troca de ações entre os dois bancos. Mas ainda há uma grande barreira a ser ultrapassada: a resistência de Joseph Safra em abrir mão do banco e da longa história da família no setor financeiro. Joseph já até definiu um sucessor para cuidar do banco: seu filho Alberto.