Terça-Feira, 11 de Novembro de 2008 | Versão Impressa
Crédito está voltando aos poucos, diz Meirelles
Economia mundial vai desacelerar substancialmente em 2009, diz BIS
Célia Froufe e Ricardo Leopoldo
Meirelles referia-se a uma série de ações, como a liberação dos depósitos compulsórios dos bancos, de R$ 47 bilhões. O BC já manifestou que esse montante tem o potencial de alcançar ate R$ 160 bilhões. Conforme disse Meirelles na semana passada, o BC liberou US$ 14 bilhões para injetar liquidez no mercado, em leilões de dólares com recursos das reservas, com recompra, com garantias de Global Bonds para o comércio exterior e garantias de contratos de ACC e ACE.
Ainda segundo Meirelles, no dia 6 outros US$ 26 bilhões foram usados para reduzir a volatilidade no câmbio - US$ 24,5 bilhões na venda de swap cambial e US$ 1,5 bilhão pela não rolagem de swap reverso.
De acordo com economistas de bancos, empresários já começam a retomar gradualmente os investimentos, pois avaliam que os efeitos da crise financeira internacional estão passando aos poucos e, com medidas do governo, tais como a não elevação dos juros pelo BC, no dia 29 de outubro, há uma perspectiva de que a concessão de financiamentos às companhias comece a se normalizar no começo do primeiro trimestre de 2009.
MUNDO
A economia mundial vai desacelerar "substancialmente" em 2009. Esse foi um dos consensos a que chegaram os representantes de cerca de 40 BCs que estiveram reunidos em São Paulo para o encontro bimestral do Banco de Compensações Internacionais (BIS, em inglês), segundo relatou Meirelles.
De acordo com ele, é aguardado até que os países industrializados tenham contração no Produto Interno Bruto (PIB). "Os emergentes continuam a crescer, mas a taxas menores", disse ele. Outro consenso dos BCs é que o mercado melhorou desde o início de outubro, mas ainda está longe da normalidade.
O presidente do BC salientou que a decisão de medidas anticíclicas dependem da situação de cada país. Ele citou como referências a conta corrente, as reservas internacionais e as contas públicas. "Cada país adota medidas convenientes para a sua economia."
De acordo com ele, o governo tem adotado medidas para preservar o País dos efeitos da crise e, entre outras, citou a liberação dos compulsórios. Meirelles lembrou que a crise começou em países desenvolvidos, mas, pelos canais de crédito atingiu os emergentes. Ele voltou a dizer que o Brasil tem uma posição relativamente melhor que alguns outros países e também do que a sua no passado. "Ninguém é imune à crise", disse.
INFLAÇÃO
Meirelles reafirmou que o centro da meta de inflação para 2009 é 4,5%. Logo cedo, a Andima, no relatório do Comitê de Acompanhamento Macroeconômico, avaliou que um ajuste na meta de inflação para 2009 "deve ser considerado uma possibilidade concreta".
Alguns analistas avaliam que será difícil para o BC levar o IPCA de 2009 para o centro da meta, em razão de alguns fatores, como a desvalorização recente do real ante o dólar.
A Andima projeta que IPCA chegará a 5,23% no ano que vem, enquanto a Pesquisa Focus divulgada ontem apontou que as expectativas para o IPCA em 2009 subiram de 5,06% para 5,20%. "A meta de inflação para 2009 é de 4,5%", reforçou o presidente do BC.