Terça-Feira, 02 de Dezembro de 2008 | Versão Impressa
Defesa Civil subestima número de desaparecidos: já seriam mais de 80
Dez dias após o início da enchente, número oficial é de 31, mas prefeituras contabilizam muito mais
Vitor Hugo Brandalise e Júlio Castro
O Centro de Operações da Defesa Civil de Santa Catarina diz que há dificuldades para centralizar informações e admite que esse número deve aumentar. "O número de desaparecidos deve ser ainda maior. Em Ilhota, Luiz Alves, Blumenau e Itajaí, especialmente na zona rural, há diversos pontos inacessíveis para resgate", assume o chefe do Centro de Operações da Defesa Civil do Estado, Edemilson Irineu Corrêa."Pode levar semanas para sabermos exatamente quantos são os desaparecidos - ou para encontrá-los. E ainda não estamos na fase de vasculhar locais soterrados, mas de prestar socorro a vítimas e assistência nos abrigos."
Após questionamento do Estado sobre os desaparecidos, a Defesa Civil de Santa Catarina enviou solicitação ontem à Delegacia-Geral de Polícia Civil para que o órgão ficasse responsável pelo levantamento do número de desaparecidos na enchente em Santa Catarina. "É a maneira mais produtiva, transparente e objetiva de tratar do assunto", diz Corrêa. Dos 116 mortos na tragédia até o momento, só 22 constavam oficialmente ontem como não-identificados - há ainda 78.707 flagelados.
Os 31 desaparecidos apontados nas estimativas oficiais foram registrados em Ilhota, Blumenau e Gaspar. O Estado apurou, porém, que há desaparecidos em ao menos outros três municípios - Itajaí, Luiz Alves e Timbó. Em Ilhota - cidade onde foram registradas mais mortes desde o início das enchentes -, ao menos 30 pessoas sumiram, todas moradoras do Morro do Baú. Dessas, segundo o Corpo de Bombeiros local, 14 provavelmente estão mortas e ainda não entraram nas estatísticas oficiais. "São pessoas que vizinhos ou familiares resgatados viram ser soterradas. Quanto às outras 16, ainda não temos notícia. Podem até estar em abrigos", diz o comandante Paulo Batista. "Como as pessoas foram levadas para abrigos de três cidades, Blumenau, Gaspar e Ilhota, não conseguimos cruzar as informações."
Em Gaspar, foram registrados nove desaparecimentos. "Mas ainda há pelo menos três localidades que não conseguimos atingir, onde pode haver mais vítimas", observa o diretor de Defesa Civil da cidade, Luiz Mario da Silva. Em Itajaí, estão desaparecidas 36 pessoas, mas não houve comunicação entre a equipe local da Defesa Civil e o departamento estadual. "Não era a prioridade (a notificação), mas a característica aqui é diferente. Temos alagamento, mas não deslizamentos de terra. Provavelmente está havendo dificuldade de comunicação entre familiares e pessoas supostamente desaparecidas", afirma José Roberto Severino, da Defesa Civil Municipal.
Em Blumenau, a Defesa Civil contabiliza seis pessoas desaparecidas, mas, segundo a unidade local da corporação, provavelmente elas já foram encontradas. Em Timbó, são duas pessoas e em Luiz Alves, uma - os três, segundo a Defesa Civil, estão mortas.