Quinta-Feira, 04 de Dezembro de 2008 | Versão Impressa
Richardson admira etanol brasileiro
Secretário de Comércio de Obama defende integração das Américas e prega nova aliança com Brasil e México
Patrícia Campos Mello
Confira imagens do gabinete de Obama
Richardson propõe uma nova versão da Aliança para o Progresso, programa de integração das Américas lançado por John F. Kennedy, em 1961. "Seria um programa com foco em nutrição, microcrédito e tecnologia de energia renovável - não tem nada a ver com os velhos programas de ajuda."
O novo secretário pretende expandir as alianças com a América Latina aumentando a "colaboração em energia renovável e tecnologia". "O que o Brasil fez com o etanol é o futuro da região. O país é auto-suficiente em energia", disse Richardson em outra entrevista, no início do ano.
Ele também elogia o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Ficamos surpresos com governos como o de Cristina Kirchner, na Argentina, de Lula, no Brasil, e de Michele Bachelet, no Chile", afirmou. "Devemos abraçar esses governos, ter uma nova relação com esses países. Afinal, eles são chamados de emergentes por algum motivo."
Richardson define-se como um democrata favorável ao livre comércio. "Sou uma espécie em extinção no partido", afirmou. Como a maioria de seus partidários, porém, ele defende a inclusão de cláusulas trabalhistas e ambientais em tratados de comércio, assim como um maior enfoque no desenvolvimento humano.
Como ex-embaixador na ONU, ele prefere dar destaque à capacidade da rodada multilateral de comércio de atingir objetivos mais ambiciosos do que os acordos bilaterais. O simples fato de Richardson ser de origem hispânica deve aumentar a atenção dos EUA para a região - embora no caso do atual secretário de Comércio, Carlos Gutiérrez, também hispânico, isso não ter feito diferença.
Em relação à América Latina, Richardson defende uma reforma da política de imigração e o fim do embargo a Cuba. "Precisamos de uma reforma abrangente da política de imigração, e isso não se restringe ao México, mas vale também para países da América Central. Depois, temos de mudar a política de Cuba, pois o embargo não faz o menor sentido, apenas fortaleceu o governo castrista."
Richardson já esteve com Hugo Chávez na Venezuela e deu a ele uma luva de beisebol. "Eu era secretário de Energia e comecei a reunião falando em espanhol. Chávez gosta de achar que é um arremessador, então levei para ele uma luva de beisebol. É preciso fazer uma conexão pessoal com esses caras", disse.