Sábado, 03 de Janeiro de 2009 | Versão Impressa
Estrangeiros tiraram R$ 24 bi da Bolsa em 2008
É a maior fuga de capitais desde 1994, quando foi iniciada a série sobre movimentação de recursos
Paula Pacheco
O volume de recursos retirado pelos estrangeiros é resultado das perdas financeiras globais. Para tapar os buracos causados pelos grandes prejuízos, foi preciso diminuir drasticamente a posição no mercado acionário. "Houve uma fuga. A situação começou a ficar mais complicada a partir do terceiro trimestre, com a quebra do banco Lehman Brothers. Para 2009 a previsão é de melhora, mas ainda é cedo para dizer quando isso vai acontecer. Dependerá do comportamento do emprego e da produção", diz Luciana Leocádio, chefe da área de ações da Ativa Corretora.
A aversão ao risco, explica Álvaro Bandeira, economista-chefe da Ágora Corretora, levou muitos dos investidores estrangeiros a posições mais conservadoras, como as aplicações em renda fixa. Outra opção que tem se mostrado atraente são os títulos do governo. Com um relativo otimismo, Bandeira acredita que os estrangeiros poderão voltar à bolsa ainda no primeiro semestre. "Vai depender dos dados globais e corporativos. Por enquanto o que se observa é que os ativos estão depreciados e a possibilidade de ganho com ações no médio e no longo prazo existe", opina.
O capital internacional que se interessar pelos papéis brasileiros encontrará boas oportunidades de negócio. Isso porque a desvalorização dos papéis desde o início da crise foi grande. De acordo com levantamento feito pela corretora Souza Barros, hoje o estrangeiro consegue comprar 17,68% a mais de ações das cinco empresas com maior liquidez listadas na Bovespa (Petrobrás, Vale, Bradesco, Itaú e CSN) do que comprava há um ano. Além da baixa no preço dos papéis, quem detém dólares contou com o benefício da valorização da moeda de 44% no ano passado.
Economista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira acredita que o primeiro trimestre não deverá apresentar alterações na tendência de saída de capital estrangeiro. "Ainda será um período de reestruturação das empresas e de muita cautela entre os investidores", diz Vieira.
Na opinião de Vieira, ainda que a Bolsa apresente uma retomada não se deve esperar a volta dos IPOs, a abertura inicial do capital da empresa. "Os valores estão muito baixos e as companhias vão esperar por uma recuperação caso queiram captar recursos no mercado de capitais", analisa.
NÚMEROS
481%
Foi a alta registrada de 2007 para 2008 da saída de recursos estrangeiros da Bovespa, de R$ 4,2 bilhões para R$ 24,6 bilhões.
17,68%
é quanto especialistas calculam que hoje um estrangeiro consiga comprar a mais de ações das cinco empresas com maior liquidez da Bovespa, na comparação com um ano atrás