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Incentivos oportunos ao investimento
Os incentivos para os bens de capital chegam em momento oportuno, mas poderiam ser melhores.
O crescimento da economia depende sobretudo do nível de investimentos, que por sua vez depende do nível da poupança. Diante do anúncio, pelo governo, dos incentivos para o setor de bens de capital, a primeira reação foi que teriam efeito muito limitado, por duas razões. A primeira é que a demanda está longe de apresentar consolidação, e a redução da renda dos assalariados, que vem ocorrendo, não favorece o aumento da demanda interna, enquanto a externa cresce apenas para as commodities.
A segunda razão de ceticismo diante das medidas do governo é que, mesmo levando em conta a redução dos estoques, a indústria tem ainda uma capacidade de produção muito acima das necessidades e poderá responder a qualquer aumento da demanda sem novos investimentos.
Essa visão merece alguns reparos. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), da FGV; o Indicador do Nível de Atividade (INA), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo; e os dados sobre as vendas reais, divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), confirmam tanto a retomada da atividade industrial como um aumento do nível de confiança das empresas em relação ao desempenho da indústria. E confirmam, ainda, um aumento do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), em razão da redução dos estoques.
Isso mostra que os incentivos chegaram num momento oportuno, o que é confirmado pelo aumento das consultas ao BNDES e aos fabricantes - já de algumas semanas atrás.
Existe, todavia, uma limitação do raciocínio quando se imagina que os incentivos se destinam apenas ao aumento da capacidade de produção, em resposta a um crescimento da demanda doméstica -, que, aliás, está longe de se constituir em certeza plena.
Na conjuntura atual, o investimento industrial deve ter por preocupação, de um lado, melhorar a produtividade para reduzir os custos de produção e, de outro, criar novas indústrias para aumentar o valor adicionado dos bens produzidos.
Esses são objetivos importantes, pois permitem reduzir os preços pagos pelos consumidores, diversificar a produção e aumentar a exportação de bens manufaturados.
Nesse sentido, caberia ao governo estimular também a importação de bens de capital não produzidos no País e favorecer a compra de patentes.
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