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Recuo ocorre após pesquisa que indica desgaste com blindagem

Planalto vai avaliar com aliado se é conveniente ele continuar no cargo

31 de julho de 2009 | 0h 00
Vera Rosa, BRASÍLIA - O Estadao de S.Paulo

A mudança de discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), começou a ser ensaiada na semana passada, quando o Palácio do Planalto recebeu uma pesquisa mostrando os efeitos da crise política sobre o governo. A consulta revelou que a blindagem de Sarney não era bem assimilada pela opinião pública e, pior, estava "pegando mal" tanto para Lula como para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência, em 2010.

 

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Convencido de que a situação do aliado está cada vez mais difícil, Lula pretende ter uma conversa com ele na próxima segunda-feira, apesar de negar publicamente o encontro. Sarney está deprimido com a avalanche de denúncias que também atingem sua família e disse ao presidente, por telefone, que a saída política para pôr fim à guerra no Senado pode ser a renúncia.

"Eu estou vivendo um calvário, um inferno astral", afirmou Sarney a dois interlocutores que estiveram com ele nos últimos dias, um do PT e outro do PSDB.

Lula não deseja a saída do presidente do Senado, mas analisará com ele a conveniência de sua continuidade à frente do cargo. Não planeja, porém, pedir a Sarney que resista à pressão. Na sua avaliação, só o peemedebista pode saber se tem condições de suportar o bombardeio dos adversários.

Se Sarney quiser ficar, Lula tentará, mais uma vez, enquadrar a bancada do PT no Senado e fazer com que os petistas - com reunião marcada para terça-feira - pelo menos fiquem quietos. Se o presidente do Senado disser que vai renunciar, o Planalto começará a articular com ele uma alternativa para sua substituição.

Nos bastidores, petistas mencionam hoje um plano B (leia ao lado): Francisco Dornelles (PP-RJ). O senador foi um dos que convenceram Sarney a ceder à cobrança do PSDB e do DEM e instalar a CPI da Petrobrás, antes do recesso parlamentar, na tentativa de esfriar a crise.

"O PT quer dar uma de Tiradentes com a sua cabeça", disse-lhe Dornelles, na ocasião, já prevendo que os petistas puxariam a rede de proteção a qualquer momento. Nem a estratégia de aceitar a CPI, porém, deu certo e a crise se agravou durante as férias.

Apesar de lavar as mãos sobre o destino de Sarney no discurso para o público externo, Lula não o abandonará à própria sorte. Além de ser grato ao senador pelo apoio dado a ele nas campanhas de 2002 e 2006 e na crise do mensalão, em 2005, o presidente age de forma pragmática: precisa do aliado para manter a governabilidade.

Sem o PMDB de Sarney, a vida de Lula pode virar um inferno no Senado, onde a maioria do governo é instável. Há uma CPI da Petrobrás no meio do caminho e o Planalto ainda espera apoio da parcela do PMDB ligada a Sarney e ao senador Renan Calheiros (AL) para eleger Dilma, em 2010.

Renan renunciou à presidência do Senado, em 2007, para escapar da cassação e hoje lidera a bancada do PMDB. Integrante da tropa de choque de Sarney, Renan vive em rota de colisão com o PT, que está rachado. Dos 12 senadores do PT, 8 querem que Sarney se licencie.

O governo avalia que Sarney não construiu pontes para se reaproximar do PT e acalmar o PSDB após derrotar Tião Viana (PT-AC) na disputa pelo comando do Senado, em fevereiro. Mesmo assim, Lula considerou "lamentável" a posição do líder do PT no Senado, Aloízio Mercadante (SP), que há uma semana divulgou nota reiterando o pedido para Sarney se afastar.

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