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Aluno recebeu a 'missão' de comprar maconha
Os alunos do curso do falso tenente Rafael Fernandes dos Santos tinham de cumprir missões. Silva (nome fictício) teve de comprar maconha. "Saí da sua residência às 18h25 e comprei a maconha na biqueira e cheguei às 20h30. Missão dada, missão cumprida", escreveu o aluno no relatório que fez para o chefe. Outro aluno recebeu a incumbência de cuidar do carro do tenente, um Escort.
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"Deverá juntamente com seus irmãos de farda cuidar da reforma da viatura Escort, sem ponderações. Isso é uma ordem. Acostume-se", dizia o ofício do tenente ao aluno J.W.P., de 22 anos, recém-nomeado 2º sargento. Fernandes distribuía patentes e graduações aleatoriamente aos alunos. Um virava cabo; outro, sargento. A única mulher da turma, S.N.O., de 22, virou segundo-tenente assim que chegou, pois, como mulher, precisaria da patente para se impor. Quem se saía bem, era promovido, como J.W.P., que virou aspirante-a-oficial.
Ao ingressar no curso, o aluno recebia uma carta de boas-vindas. "A Polícia do Exército lhe dá boas-vindas e com prazer o inclui em nossa família." O papel com timbre do Exército e brasão da República citava passagem do livro Guerra de Guerrilhas, de Ernesto Che Guevara, sobre a disciplina guerrilheira. Ao recém-incorporado sargento J.W.P., ele prometia soldo de R$ 4 mil após seis meses de treinamento. "O Brasil conta com você", dizia o ofício.
O tenente, segundo os alunos, oferecia maconha aos alunos. Ele levava uma bandeira do Brasil para os acampamentos e dizia conseguir as fardas no quartel do Curso Preparatório de Oficiais da Reserva (CPOR), em Santana, na zona norte de São Paulo. "Para as vítimas, ele desempenhava bem o papel", disse o delegado Arly Antonio Reginaldo, do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic).
Houve um aluno que tatuou no braço a frase "Deus cria a PE mata", referindo-se à Polícia do Exército. Um outro foi convencido a entregar um Peugeot 206 para pagar pelas aulas. Além de Paranapiacaba, o falso tenente usava o sítio de um aluno no interior do Estado. Ali foram dadas aulas de tiro e marcha. "A gente rastejava e ficava horas na água. Um dia, era mais de oito da noite, e a gente ainda estava ralando", afirmou G.C.S..
Jovens de 18 a 25 anos, da periferia da zona norte, eram as vítimas. Houve quem gastasse o que não tinha para fazer o curso. É o caso de J.W.P., que pegou com a mãe o dinheiro que ela ia usar na reforma da casa para pagar "o tenente Fernandes". A polícia deve apurar agora os crimes de estelionato e falsificação de documento, mas descarta que Fernandes quisesse montar uma milícia.
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