História e histórias da evolução sexual na MPB
Depois do livro e do programa de rádio, o pesquisador Rodrigo Faour estreia série musical no Canal Brasil
Primeiro foi o livro, depois o programa de rádio. Agora História Sexual da MPB, de Rodrigo Faour, está na tevê. A temporada estreia hoje no Canal Brasil, abordando o tema mulher no primeiro de seis programas. No ar sempre às quartas-feiras, à meia-noite, com reprises sextas às 21 h e sábados às 4h30, o segundo trata da sensualidade e o terceiro, muito divertido, é sobre as músicas de duplo sentido, desde os sucessos populares de Manhoso até o lirismo de Eduardo Dussek e Luiz Carlos Góes.
O quarto é sobre a dor de cotovelo e os dois seguintes tratam da sexualidade transgressora, um sobre os pioneiros (Ney Matogrosso, Edy Star e Maria Alcina, certamente incluídos) e outro aprofundando o tema nas personagens das canções, como a de Geni e o Zepelim, de Chico Buarque. Curiosamente, como o travesti Geni, da Ópera do Malandro, os artistas também sofreram agressões por transgredir sexualmente.
Muita coisa ficou de fora e, segundo Faour, várias entrevistas renderiam programas à parte. "No primeiro queria falar mais sobre as cantoras do rádio, sobre compositoras, mas não coube, é muito assunto. Vou fazer outro programa só sobre as compositoras para a segunda temporada, no segundo semestre", diz. "Nesse programa consegui falar de dissimulação feminina, orgasmo feminino, separação e divórcio, menstruação, virgindade e machismo, cada um com um exemplo bem característico."
A edição dos programas é dinâmica. Faour fez questão de fazer um programa musical, com vários clipes raros (como Linda Batista cantando a impagável marchinha Vai Que É Mole, de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira) e o preciosismo de incluir nomes dos autores e datas das gravações originais. "Quis fazer um programa moderno, com enfoque irreverente, fazendo coisas "antigas" que são eternas palatáveis aos ouvidos de hoje, pensando na formação de público", diz. "Espero que as pessoas redescubram coisas e, depois de ver todos os programas, repensem até sobre sua vida afetiva."
Há situações reveladoras, como quando Roberto Menescal conta sobre os desentendimentos com Elis Regina, em sua insistência para ela gravar Dois Pra Lá, Dois Pra Cá (João Bosco/Aldir Blanc), um dos grandes sucessos de sua carreira, em ritmo de bolero. Vitoriosa (Ivan Lins/Vitor Martins) é apresentada como a primeira canção sobre orgasmo feminino. A sensualidade de Gal Costa, deslumbrante nos anos 70, é um caso à parte. Como outros exemplos, esse assunto não está ali por acaso. "A década de 70 é a síntese das transformações na música brasileira e no comportamento da sociedade", observa Faour.
Sem preconceito, a série tem como entrevistados grandes astros como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Erasmo Carlos e Simone, até gente que fez sucesso num período e ficou esquecida pelo público e/ou "excluída da história oficial", conforme frisa Faour. Entre eles estão Vanusa, Maria Alcina, Walesca, Dicró e Manhoso. "Acho que a grande ousadia do meu livro e agora do programa é transpor as fronteiras do que os historiadores de música consideram relevante."
Dentre os 32 entrevistados para a série vale destacar a reunião de grandes nomes da velha guarda ? Jorge Goulart, Miltinho, Roberto Silva, Ademilde Fonseca, Doris Monteiro, Carmélia Alves, Adelaide Chiozo e Lana Bittencourt ?, que rendeu momentos emocionantes numa tarde na Confeitaria Colombo, no Forte de Copacabana.
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