PAN 2007
tera-feira, 17 de julho de 2007, 00:01 | Online
Um Brasil para japonês ver e comprar
Apex adota estratégia de marketing para aumentar a venda de produtos brasileiros com maior valor agregado
Lu Aiko Otta, do Estadão

O objetivo de todo esse marketing é aumentar a venda de produtos de maior valor agregado ao Japão. Dados da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) mostram que em 2006 o Brasil exportou US$ 3,84 bilhões ao Japão, dos quais apenas 15% eram produtos industrializados e 54,7%, produtos básicos. Na mão contrária, foram importados US$ 3,88 bilhões, dos quais 94,2% eram manufaturados.
A meta da Apex é elevar a venda de industrializados ao Japão dos US$ 584 milhões registrados em 2006 para US$ 1 bilhão em 2010. A estratégia de marketing começa com a primeira grande participação brasileira na semana de moda do Japão em setembro. Além das peças criadas pelos estilistas nacionais, serão apresentadas jóias com pedras e design brasileiros, parte delas inspirada na biodiversidade do País. Os desfiles serão animados por música brasileira, que já tem boa receptividade no público japonês.
Outra aposta do Brasil é o mercado de alimentos. Nesse campo, porém, a experiência mostrou que vender ao exigente consumidor japonês não é nada simples. Em 2004, quando o então primeiro-ministro Junichiro Koizumi fez uma oficial ao País, foi anunciada a remoção de barreiras à compra de manga brasileira, depois de mais uma década de negociações. Três anos depois, as mangas que estão nas prateleiras japonesas por exorbitantes US$ 90,00 cada uma são mexicanas.
“Faltou preparar o mercado para o nosso produto”, admite a coordenadora de Inteligência Comercial da Apex, Adriana Rodrigues. Diferentemente do que ocorreu na Europa, onde as feiras de alimentos brasileiros fizeram sucesso de imediato, o mercado japonês exigirá das empresas nacionais adequação em termos de embalagem, adaptação ao paladar, altíssimo padrão de qualidade e constância no fornecimento. “Não é fácil, mas é um trabalho que precisamos fazer”, diz Adriana. “O mercado é exigente, mas paga muito bem”, acrescenta Márcia Nejaim, gerente da Apex para os mercados asiáticos.
Tecnologia
As exportações brasileiras de manufaturados ao Japão deverão dar um salto com a já anunciada venda de 10 aeronaves da Embraer para a Japan Airlines, com opção de adquirir outras cinco. O valor do negócio poderá chegar a US$ 435 milhões. Segundo Adriana, o potencial do mercado japonês para os jatos da Embraer é muito grande: as companhias aéreas não têm aeronaves de menor porte como as fabricadas no Brasil, muito usadas em vôos regionais.
Também no campo tecnológico, há uma grande expectativa em relação ao mercado do etanol. Dessa vez, porém, o Brasil não procurará ser apenas fornecedor da commodity, como tem sido a tônica das relações comerciais com o Japão desde os anos 70. A idéia, explicou Adriana, é vender junto os equipamentos para a fabricação do álcool de cana, a tecnologia e também o know-how, ou seja, o fornecimento de profissionais especializados.
O governo brasileiro vem, já há alguns anos, desenvolvendo uma estratégia para superar a hesitação japonesa em adotar o etanol, por temer falhas no fornecimento do produto. A idéia é que outros países também produzam e exportem o produto, de forma que o consumidor não dependerá só do Brasil. “Não temos a pretensão de ser o único fornecedor do etanol no mundo”, explicou. Estão em curso entendimentos com a Índia e com países da América Central para que eles também produzam etanol de cana de açúcar.
Veja também:
Brasil-Japão: a parceria do século 21
Interessados. E também desconfiados
Investimentos, a terceira onda de cooperação
Oportunidade real. Ou só aparente?
Uto, a pequena grande guerreira
52 dias de viagem. E a chegada
Escultura especial ao porto de Santos
Mulheres nikkeis dão brilho à festa
Cursos preparam quem está de malas prontas para viajar
O caminho de volta ainda é atraente
Um nissei pronto para fazer história
Camisa 10, bom de bola. É o samurai santista