PAN 2007
tera-feira, 17 de julho de 2007, 00:01 | Online
Um nissei pronto para fazer história
Hugo Hoyama pode chegar ao seu nono ouro neste Pan. Mas há vários outros vencedores de olhos puxados
Valéria Zukeran, do Estadão

Em comum, todos observam ter herdado as qualidades mais importantes para chegar onde chegaram dos antepassados. “Meus pais eram muito rígidos. Isso me disciplinou. Depois, acrescentei alguns hábitos que cultivei nas temporadas de treinos no Japão, como preparar e limpar a mesa de jogo e cuidar de todo o equipamento”, diz Hoyama.
O mesatenista anunciou antes do Pan que, aos 38 anos, o Rio marcará sua última apresentação na seleção. “Quero não só ganhar a medalha mas também me apresentar bem nesta despedida diante da torcida.” Depois, o projeto é dedicar-se às competições nacionais e a outras carreiras, como treinador ou dirigente. “Comecei há 20 anos, em Indianápolis”, relembra.
Poliana Okimoto também considera disciplina e determinação decisivas em seu sucesso na natação - e atribuiu a medalha de prata que conquistou no Pan do Rio, a primeira do Brasil na competição, justamente a essas características. “Sou baixinha e miúda para as maratonas aquáticas. Só com muito treino consegui superar esta desvantagem. Os japoneses são muito determinados, sempre se dedicam 100%. Por Isso busco o melhor de mim o tempo todo.”
Entre as modalidades esportivas nacionais associadas à cultura japonesa, o maior destaque está no judô, um dos esportes que mais renderam medalhas olímpicas ao Brasil e que chegou ao País com o japonês Eisei Maeda, o Conde Koma, por volta de 1922. Os adversários internacionais garantem que o jeito de lutar do brasileiro, com muita técnica nos combates, mostra que a influência dos japoneses ainda é muito forte.
Mas não há modalidade com presença mais maciça de nisseis e sanseis do que o beisebol e o softbol. Atualmente, cerca de 70% da seleção masculina e 90% da feminina têm olhos puxados. Mas a participação dos “ocidentais” cresce. “Hoje você vê nas categorias de base que a proporção entre jogadores descendentes de japoneses e brasileiros típicos está diminuindo”, observa o arremessador Gilmar Pereira, um dos poucos jogadores da seleção que não tem ascendência oriental.
Passado e futuro
Mas o esporte não vive somente de presente. Há décadas que os descendentes de japoneses se mostraram pioneiros em várias modalidades. Com o talento aperfeiçoado na convivência com equipe nipônica conhecida nos anos 50 como os flying fishes, Tetsuo Okamoto conquistou a primeira medalha da história da natação, bronze em Helsinque, em 1952. Um ano antes havia conquistado duas medalhas de ouro na primeira edição dos Jogos Pan-Americanos, em Buenos Aires.
Outro desbravador foi Chiaki Ishii, que conquistou outra medalha de bronze inédita no judô na Olimpíada de Munique, em 1972. O feito abriu caminho para várias gerações de brasileiros campeões como Aurélio Miguel, Rogério Sampaio entre outros, que sempre aperfeiçoaram seus conhecimentos no Japão antes das principais competições. Mas não parou por aí. A segunda geração dos Ishii, Tânia e Vânia, manteve o alto nível do esporte na família. Ambas chegaram a disputar olimpíadas: Tânia em Seul (1988) e Vânia em Sydney (2000).
Se depender de pessoas como o técnico da seleção brasileira de beisebol, Mitsuyoshi Sato, a tradição de boas atuações dos orientais brasileiros tem tudo para continuar. Seus três filhos desenvolveram carreira no superconcorrido beisebol do Japão, e a segunda geração já é estimulada a seguir adiante. “Recentemente meu filho mais velho, que parou de jogar, teve um menino”, diz o orgulhoso vovô Mitsuyoshi. Qual foi o primeiro presente do netinho? Fácil: uma luva, um taco e uma bola de beisebol.
Veja também:
Brasil-Japão: a parceria do século 21
Um Brasil para japonês ver e comprar
Interessados. E também desconfiados
Investimentos, a terceira onda de cooperação
Oportunidade real. Ou só aparente?
Uto, a pequena grande guerreira
52 dias de viagem. E a chegada
Escultura especial ao porto de Santos
Mulheres nikkeis dão brilho à festa
Cursos preparam quem está de malas prontas para viajar
O caminho de volta ainda é atraente
Camisa 10, bom de bola. É o samurai santista