PAN 2007

tera-feira, 17 de julho de 2007, 00:01 | Online

Cursos preparam quem está de malas prontas para viajar

E, no Japão, os avanços da tecnologia de comunicação ajudam a diminuir as saudades da família

Kátia Arima, especial para O Estado

SÃO PAULO - Há muitas comodidades que facilitam a vida dos brasileiros no Japão, afirma Eduardo Toyama, que tem uma agência de recrutamento de dekasseguis em São Paulo. “Eles tem à disposição uma estrutura muito boa: pode assistir a noticiários e novelas brasileiras, ler jornais escritos em português e comer pratos brasileiros como feijoada.”

 

Toyama viveu 15 anos no Japão. Quando foi pela primeira vez, uma ligação de 15 minutos para o Brasil custava US$ 100. “E ainda tinha de rodar à procura de um aparelho que fizesse ligações internacionais”, lembra. “Agora, você liga para o Brasil de qualquer telefone público, fala uma hora e meia e paga US$ 10.”

 

O avanço das tecnologias de comunicação facilitam a vida do dekassegui, observa Toyama. “Hoje todos eles têm celular e internet para matar a saudade.”

 

Cursos

 

A maioria dos dekasseguis tem dificuldades de se adaptar à vida no Japão por causa do desconhecimento da língua japonesa, afirmam os especialistas. Por isso, os brasileiros podem se preparar nos cursos intensivos, preparados para o cotidiano dos dekasseguis.

 

O Centro Brasileiro de Língua Japonesa (CBLJ) iniciou neste mês o Sokuseijuku, curso de japonês aos que desejam trabalhar no Japão. São 60 horas de aulas que incluem dicas para o dia a dia. O curso custa R$ 1.000, incluindo material didático, e o aluno pode começar a pagar quando estiver no Japão, através de financiamento do Bradesco.

 

A Associação Brasileira dos Dekasseguis (ABD), com sede em Curitiba (PR), mantém um curso que aborda a língua japonesa e a cultura do país. “É importante entender os costumes para evitar conflitos”, diz a professora voluntária Irene Satomi Eguti, dekassegui por sete anos.

 

A ABD também dá apoio a quem está retornando. “A dificuldade de readaptação é muito grande”, afirma Maria Helena Uyeda, presidente da entidade, que organiza encontros de confraternização entre ex-dekasseguis.

 

No site da ABD (www.dekassegui.sebrae.com.br), duas psiquiatras dão conselhos aos que estão no Japão. “O obstáculo da língua não permite que os brasileiros no Japão desabafemr com profissionais”, diz Maria Helena.

 

O Sebrae mantém o Projeto Dekassegui Empreendedor (www.dekassegui.sebrae.com.br/ ), que orienta o trabalhador sobre as oportunidades de negócios no retorno ao Brasil. A instituição resolve dúvidas por e-mail e oferece cursos de capacitação pela internet durante a estada no Japão.