PAN 2007

tera-feira, 17 de julho de 2007, 00:01 | Online

Escultura especial ao porto de Santos

Obras de Tomie Ohtake tem 15 metros de altura, 20 metros de extensão e dois metros de largura

Nair Keiko Suzuki, especial para O Estado

Tomie Ohtake vai doar obra à cidade

Antonio Milena/AE

Tomie Ohtake vai doar obra à cidade

SÃO PAULO - O prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa (PMDB), veio a São Paulo no fim do ano passado e tomou um café da manhã na casa da artista plástica Tomie Ohtake, no bairro de Campo Belo. Acompanhada pelos dois filhos, o arquiteto Ruy Ohtake e o ex-secretário da Cultura do Estado de São Paulo, Ricardo Ohtake, Tomie ouviu a proposta e a aceitou na hora. E fez mais, para completar a alegria do prefeito: resolveu doar o projeto à cidade.

 

A proposta de Tavares Papa era para Tomie criar uma escultura em comemoração ao centenário da imigração japonesa no Brasil. “Pedi a ela uma obra marcante porque, afinal, os primeiros imigrantes japoneses desembarcaram no porto de Santos”, diz o prefeito. A formalização da proposta ocorreu algumas semanas depois, em outubro do ano passado.

 

O projeto já ficou pronto e mostra uma escultura exuberante, feita em aço, toda pintada de vermelho, com dimensões gigantescas: 15 metros de altura, 20 metros de extensão e dois metros de largura. “Quando ficar pronta, vai ser instalada num lugar nobre do bairro do José Menino, próximo à divisa com São Vicente”, adianta Tavares Papa.

 

“Quero que a obra possa ser vista de todos os ângulos da praia, em Santos”, diz Tomie. Mas, o que ela significa? Da mesma forma que ela não define em que consiste a escultura feita por ela em homenagem aos 80 anos da imigração japonesa no Brasil - que desde 1988 enobrece o canteiro central da avenida 23 de Maio, Tomie não explica seu projeto para Santos.

 

Tavares Papa acha que a sinuosidade sugerida no projeto dá idéia do movimento do mar, com um ponto lançado em direção ao Oriente. Em alguns ângulos, compara, lembra uma prancha de surfe. O vermelho predomina, acredita, porque é a cor do sol nascente da bandeira japonesa.

 

Já a cineasta Tizuka Yamasaki vê a escultura como um enorme lenço acenando para os imigrantes. Dando as boas-vindas, ou dando adeus. “Mas um adeus alegre, sem depressão, porque Tomie é uma artista extremamente alegre”, define. O vermelho, para Tizuka, teria sido usado pela artista para contrastar com o azul do céu e o verde do mar. Quanto à outra escultura de Tomie, a da avenida 23 de Maio, Tizuka não tem dúvidas: as quatro ondas feitas em concreto, pintadas com cores quentes na parte interna, representam as várias gerações de imigrantes japoneses.

 

O projeto da obra do centenário agora vai à execução: sua construção será patrocinada, provavelmente, por duas empresas. Segundo o prefeito de Santos, a Usiminas deverá fornecer o aço, e o restante da escultura poderá ficar a cargo da empresa Qualy, de construção civil.

 

Nascida em Kioto, no Japão, há 93 anos, Tomie chegou ao porto de Santos em 1936, acompanhada pelo irmão Teinosuke, quando tinha 23 anos de idade. Eles viajaram no navio Argentina Maru, informa o livro “Tomie : Cerejeiras na Noite” escrito por Ana Miranda, com base em depoimento de Tomie e editado pela Companhia das Letrinhas.

 

Tomie diz que se emocionou com o convite do prefeito e lembrou que, quando desembarcou em Santos, viu o porto banhado por uma forte luz amarela, o que a impressionou muito. Era fim de tarde de um dia de verão. “Fomos felizes na escolha”, comemora o prefeito, que quer inaugurar a obra, de preferência, no dia 18 de junho de 2008, exatos 100 anos depois que os primeiros 781 imigrantes, a bordo do navio Kasato Maru, desembarcaram no Porto de Santos.