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| Imagem feita por Alexander Chadwick, durante a evacuação de passageiros do metrô de Londres | | | |
Os atentados de 7 de julho em Londres revelaram uma novidade: os celulares com câmera potencializaram o aspecto mais belo e central da fotografia, que é a possibilidade de captar o instantâneo. E deram ao cidadão comum o poder de registrar e disseminar fatos inesperados do dia-a-dia, tarefa antes comumente realizada por profissionais do jornalismo.
Isso ocorre porque o celular torna-se, cada vez mais, um objeto presente no bolso de qualquer pessoa, ao lado da chave de casa e da carteira. Equipados com recursos de fotografia e vídeo, e a possibilidade de enviar os registros imediatamente para outras pessoas, eles abrem uma nova perspectiva para o registro dos acontecimentos - marcantes ou não - deste início de século 21.
Por outro lado, apesar do rápido avanço tecnológico da fotografia digital aplicada a dispositivos de comunicação portáteis, não se deve esperar que a qualidade de uma foto tirada pelo celular seja equivalente à obtida com uma câmera mais sofisticada. Ao menos por enquanto.
Embora já comecem a chegar no mercado brasileiro celulares com câmeras mais poderosas - vários fabricantes oferecem modelos com resolução superior a 1 megapixel -, é importante ter em mente que o trunfo desses equipamentos é a capacidade de registrar momentos do dia-a-dia e rapidamente divulgar esses registros.
Não é à toa que mesmo fotógrafos famosos romperam a desconfiança inicial em relação à fotografia via celular. "Eles são os fetiches do nosso tempo, uma diversão excitante. Uma mistura de brincar de detetive e de fazer parte da contemporaneidade", escreveu Klaus Mitteldorf em texto publicado no Link há cerca de um mês.
Para Klaus, a falta de qualidade (ou, melhor dizendo, de resolução) da maioria das fotos de celulares não é um problema: "É disso que eu gosto, dessa textura mais granulada que consigo somente com uma máquina digital mais rudimentar. As pessoas buscam na tecnologia a imagem perfeita. Eu, como faço arte, procuro o contrário."
"A câmera do celular serve para registrar os flagrantes. Não tem aquele trabalho de pegar a câmera, tirar da capa, escolher a lente. Basta saber as características e limitações da máquina que temos em mãos e nos adaptarmos a elas", afirmou o fotógrafo Cássio Vasconcellos, que participou em maio da exposição Vivo Mega Pixels, reunindo trabalhos fotográficos feitos com celulares.
Mas, afinal, que características e limitações são essas que o consumidor deve conhecer no momento de escolher - e usar - um celular com câmera? Qualidade da imagem (resolução, medida em pixels, e quantidade de cores), opções disponíveis para tirar as fotos do celular, capacidade de armazenamento, tamanho e praticidade do aparelho.
Esses são os principais fatores a serem considerados, e que buscaremos explorar de forma mais detalhada nesta e nas duas páginas seguintes.
As primeiras perguntas que uma pessoa interessada em adquirir um celular com câmera deve fazer a si própria são: que tipo de fotos pretende tirar com o aparelho e o que pretende fazer com elas?
Se a intenção for apenas fazer fotos do dia-a-dia sem maiores pretensões, e enviá-las para celulares de amigos ou parentes e páginas na internet (blogs, comunidades virtuais, etc.), não é preciso se preocupar muito com a qualidade da imagem - determinada principalmente, mas não somente, pela resolução (veja texto abaixo e infográfico na página 5).
Nesse caso, um celular VGA, com resolução de cerca de 300 mil pixels (0,3 megapixel), basta. É importante verificar as opções de conectividade, ou formas de enviar as fotos rapidamente, via mensagens multimídia, internet móvel ou tecnologias sem fio como Bluetooth. Também devem ser levados em conta a qualidade do visor (display) do aparelho, onde as fotos serão visualizadas, e o tamanho e o peso do aparelho.
Já aqueles que desejam fazer fotos com mais resolução - que possam ser ampliadas no monitor do computador ou impressas em tamanhos maiores sem perda de qualidade - devem optar por um celular Megapixel (cada megapixel tem 1.024.768 pixels).
O mercado brasileiro acaba de atingir o patamar de celulares de 2 megapixels, com o lançamento do modelo K750, da Sony Ericsson. Outros fabricantes lançarão celulares semelhantes em breve, e a tendência é de a resolução dos celulares aumentar rapidamente no País, como já ocorreu nos países líderes na área, o Japão e a Coréia do Sul.
"À medida que a resolução dos celulares aumentar, cada vez mais eles poderão substituir a máquina fotográfica no dia-a-dia", disse Silvio Stagni, vice-presidente da Sony Ericsson do Brasil. "Mas as câmeras digitais continuarão a ter função garantida em viagens e outros momentos especiais, quando um equipamento mais sofisticado é necessário."
Stagni alerta, no entanto, para a importância de o celular, por mais recursos que tenha, não se tornar grande e pesado demais. "Não podemos comprometer o tamanho do celular por causa da câmera. Afinal, a portabilidade e a praticidade são fundamentais", disse ao Link.
Mitteldorf, um dos fotógrafos de publicidade mais conhecidos do Brasil, disse não esperar que os celulares com camera tenham a qualidade de uma câmera digital comum. "Qual o verdadeiro sentido desse genial combinação de telefone com câmera? Para mim, são dois: versatilidade e rapidez", disse. Segundo ele, os fabricantes deveriam apostar suas fichas na velocidade de captura e de transferência da imagem.
Seu colega Bob Wolfenson vai na mesma linha. "Percebi que o celular com câmera pode funcionar como um extensor do olhar. É como um diário, um anotador de imagens, uma usina de idéias rápidas", afirmou.