Saúde
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008, 14:30 | Online
Temporão: é 'mentira' que há epidemia de febre amarela
Ele descartou a reurbanização da doença, e disse que só morreram pessoas não-vacinadas em áreas de ricso
FÁBIO GRANER e ADRIANA FERNANDES - Agencia Estado
Segundo dados do próprio ministério, já foram confirmados dez casos da doença no Brasil este ano. O número já é maior que o total registrado em cada um dos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007.
Temporão assegurou que a situação está tranqüila e que não há risco nenhum de urbanização da doença no País. "O que temos são casos isolados de febre silvestre em pessoas que não vacinaram e que entraram em áreas de risco", afirmou.
O ministro disse que o Ministério da Saúde está monitorando o problema e ressaltou que o mosquito que mantém o ciclo silvestre da doença não é o Aedes aegypti, que não pica o macaco transmissor.
Temporão ainda afirmou não ser culpa do governo o aumento nos casos de febre amarela no ano. "Todos os casos de morte foram de pessoas que não se vacinaram e foram para áreas de risco", disse.
Ele avalia que há informações suficientes sobre os riscos envolvendo a febre amarela nas áreas endêmicas. "Todas as pessoas que viajam para essas áreas sabem que têm de se vacinar. Pessoas que não tomaram foram por sua própria conta e risco. Eu, por exemplo, quando fui visitar Pirenópolis (GO) há dois anos, sabia que tinha de ser vacinado. Levei a minha família e todos foram vacinados", afirmou.
Segundo ele, a situação neste ano é melhor que em 2000 e 2003, quando houve significativo aumento nos casos de febre amarela, e está sob controle.
Para Temporão, a imprensa tem responsabilidade na corrida da população para tomar vacina e advertiu que é contra-indicado as pessoas tomarem a vacina antes do prazo de validade de 10 anos.
"Quem tiver dúvida se tomou vacina deve procurar o posto de saúde onde costuma se vacinar e verificar se o fez", afirmou. Para quem não tomou vacina e vai para as regiões endêmicas, Temporão volta a recomendar que o façam.
O ministro explicou que o ciclo da febre amarela está associado ao fim do período em que os macacos ainda contam com a proteção dos anticorpos herdados da mãe, que dura cerca de seis anos. Por isso, avalia, outro ciclo de aparecimento da forma silvestre da doença pode ocorrer em alguns anos.
Ele considera que, pela natureza do Brasil, com grandes regiões de florestas, a forma silvestre da febre amarela sempre existirá. Outro fator que pode influenciar no reaparecimento periódico da doença seria o desequilíbrio ecológico.
Ele lembrou que, desde 1999, a Saúde tem acompanhado a morte de macacos como sinal de alerta para a febre amarela.