América Latina

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008, 17:42 | Online

Niemeyer diz que Fidel continua na luta contra imperialismo

'Grande líder participará da luta contra as forças reacionárias do imperialismo dos EUA', diz o arquiteto em nota

Fernanda Ezabella, da Reuters e Márcia Vieira, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - O arquiteto carioca Oscar Niemeyer declarou nesta terça-feira, 19, que acredita que os embates entre Cuba e os Estados Unidos irão continuar e que o líder cubano não abandonará a luta. Em nota à imprensa, Niemeyer, que foi citado no texto de renúncia à Presidência do líder, disse ainda que Fidel é um homem "inteligente e decidido".

 

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Em uma nota à imprensa, o arquiteto disse que "é claro que, apesar da tristeza com que o povo cubano acompanha os acontecimentos que se seguem à renúncia de Fidel, sobra para ele e toda a América Latina a certeza de que o grande líder continuará a participar desta luta contra as forças reacionárias do imperialismo norte-americano".

 

Aos 100 anos, comunista histórico, Niemeyer disse que Fidel Castro é "inteligente e decidido". "Eu sempre segui a mesma ideologia que ele. Mesmo deixando o governo, ele vai continuar orientando o povo cubano." O arquiteto ficou feliz de ter citado nos termos em que Fidel fez. "Ele foi generoso em me citar. Concordo com a frase. O ser humano é tão insignificante. É preciso ser coerente até o final da vida", diz.

O arquiteto nunca visitou Cuba, mas já recebeu Fidel em seu escritório em Copacabana. Ele também desenhou diversos projetos não realizados para a ilha, como a embaixada brasileira.

Recentemente foi inaugurada em Havana uma escultura de aço de Niemeyer, de quase 10 toneladas, na qual aparece um monstro indo contra um pequeno homem segurando a bandeira de Cuba estilizada. A obra representaria, nas palavras de Niemeyer, "a luta contra o imperialismo".



'Crônica da renúncia anunciada'



Para a historiadora Claudia Furiati, autora de Fidel Castro: Uma Biografia Consentida, a notícia da saída do líder cubano "era uma crônica da renúncia anunciada".

"Antes mesmo da doença dele, Fidel já vinha passando pouco a pouco suas atribuições a outras pessoas, todas do círculo cubano, entre elas o próprio irmão dele, Raúl", disse Furiati, que pressentiu essa saída estratégica desde que terminou seu livro, na virada do século.

Ao contrário de Niemeyer, Furiati acha que a renúncia do líder pode dar início a um relaxamento das tensões entre Cuba e EUA, que impõem à ilha um embargo econômico desde 1962. "Claro que isso não depende só de Cuba, depende também do que vai acontecer após as eleições lá nos EUA", disse Furiati.

Sobre o futuro de Cuba, ela acha que a ilha vai continuar se modificando, embora seja difícil prever até quando.

"Hoje é um socialismo cubano com agentes capitalistas. Não é mais um socialismo puro, ortodoxo. Acho que essas mudanças vão continuar se processando. Mas se vai virar capitalista, aí não saberia dizer."


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