Ciência
terça-feira, 4 de março de 2008, 08:39 | Online
75% dos brasileiros apóiam uso de células-tronco, diz Ibope
É um dos raros resultados de pesquisa que a população discorda da Igreja; evangélicos são menos favoráveis
Simone Iwasso, de O Estado de S. Paulo
Opine - Células-tronco embrionárias devem ser usadas em pesquisas?
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Os números pouco se alteram quando o recorte é feito por religião do entrevistado. Entre os católicos, a porcentagem de favoráveis é exatamente a mesma, mostrando uma divergência com a cúpula da Igreja, que se pronuncia contra as pesquisas na área. Outras sondagens já mostraram que os fiéis adotam comportamentos diferentes dos pregados pela Igreja em temas que envolvem planejamento familiar e sexualidade. Entre evangélicos, cai para 71% o apoio total aos cientistas e fica em 20% o apoio parcial.
O apoio aumenta entre os homens e conforme cresce o nível de escolaridade dos entrevistados. Entre pessoas com curso superior completo, a concordância total chega a 83%. É também maior na região Sudeste (83%) e menor no Norte e Centro-Oeste (67%).
O Ibope entrevistou 1.863 homens e mulheres com idades entre 16 e 70 anos de todos os Estados e níveis de escolaridade - que variavam do ensino fundamental incompleto ao superior completo. A pesquisa foi encomendada pela organização não-governamental (ONG) Católicas pelo Direito de Decidir.
''''A pesquisa apontou que os brasileiros têm um pensamento contemporâneo e apóiam as pesquisas com células-tronco embrionárias como forma de desenvolver novas oportunidades no campo da medicina. Isso indica que estamos preparados para analisar por outros aspectos as atitudes que são, realmente, em favor da vida'''', explica a coordenadora da ONG, a socióloga Dulce Xavier.
Posição fechada
A Igreja Católica já se pronunciou diversas vezes e emitiu uma série de notas oficiais reforçando a posição contrária à liberação e uso das células-tronco embrionárias, por considerá-las um ser vivo, que não pode ser manipulado em pesquisas. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou uma carta aos ministros do Supremo Tribunal Federal pedindo a não-liberação.
Ontem, a CNBB indicou o arcebispo de Londrina e presidente da Comissão para a Vida e Família da instituição, d. Orlando Brandis, para comentar os resultados da pesquisa do Ibope. Mas até o fechamento desta edição ele não havia respondido ao pedido de entrevista.