São Paulo

segunda-feira, 28 de abril de 2008, 17:07 | Online

Pais são suspeitos de torturar os 5 filhos em Guarujá

Crianças foram encontradas com cicatrizes pelo corpo, além de queimaduras nos pés e mãos

Zuleide de Barros - O Estado de S.Paulo

GUARUJÁ - Com múltiplas cicatrizes pelo corpo, algumas recentes, bolhas espalhadas pelos pés e mãos, resultado da queima de palitos de fósforo entre os dedos, sujas e com fome. Assim foram encontradas, na tarde de sábado, 26, as cinco crianças, com idades entre 2 e 9 anos, residentes na Vila Áurea, bairro da periferia de Guarujá, localizado no distrito de Vicente de Carvalho. A cena impressionou a todos: vizinhos, o tio-avô das crianças, chamado por telefone, e até os representantes do Conselho Tutelar, que já estão acostumados com todo o tipo de violência contra crianças.

 

A conselheira tutelar, Cláudia Santos Nascimento, mostrou-se "espantada" com tudo o que viu e ouviu das crianças, levando-se em conta que as lesões foram decorrentes de "tortura" praticada pelo próprio pai, com consentimento da mãe.

 

As crianças contaram que o pai aproximava um isqueiro acesso na língua delas e que a mãe via tudo e não fazia nada. Em outras ocasiões, queimava a língua delas com bolinho quente e também acendia palitos de fósforo entre os dedos das mãos e dos pés até queimá-las. Daí as bolhas observadas, principalmente nos pezinhos.

 

"A denúncia é de extrema gravidade e já está sendo encaminhada para apuração da polícia", disse. A delegada Juliana Gianini acompanhou o flagrante e determinou ao setor de investigação que localizasse os pais para prestarem depoimento.

 

Na manhã desta segunda-feira, 28, as cinco crianças passaram por exames no Instituto Médico Legal de Guarujá, que anunciou para esta terça-feira, 29, a liberação dos laudos, uma vez que a polícia já instaurou inquérito para apurar a responsabilidade criminal.

 

Desde a noite de sábado, as crianças ficaram sob a guarda do Conselho Tutelar, já que os pais não foram localizados na residência. O tio-avô dos pequenos, o corretor de imóveis Wagner Rosa, que foi chamado pelos vizinhos, ficou impressionado com a situação das crianças e, de imediato, se prontificou a ficar com a guarda provisória delas, ressaltando que desconhecia este tipo de ocorrência.

 

Só que nesta segunda, depois da repercussão que o caso teve na imprensa, Rosa se mostrava preocupado com eventual ameaça que vinha sofrendo de pessoas, que ligavam para o seu celular, ameaçando-o de morte, depois que ele apareceu na televisão.


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