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sexta-feira, 10 de outubro de 2008, 10:26 | Online

Falta bafômetro para fiscalização na periferia de São Paulo

Fontes da Polícia Militar confirmam que número de equipamentos é insuficiente para a capital

Naiana Oscar, do Jornal da Tarde

SÃO PAULO - Um movimentado bar de música árabe na zona leste acabou de abrir cinco vagas para barman e garçons. Os donos querem repor os funcionários que tiveram de demitir logo que a Lei Seca entrou em vigor, em junho deste ano. Os clientes já perceberam que na periferia, sem bafômetro, a fiscalização é falha e, depois de quase quatro meses, voltaram a consumir como antes. “Assim que a lei começou tivemos um impacto negativo de 40% na venda de bebidas”, disse a proprietária do Dunas Bar, Rejane Mercatelli. “Mas agora todo mundo sabe que não tem bafômetro e a blitz acabou. Recuperamos o prejuízo.”

 

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A capital conta atualmente com 51 etilômetros (bafômetros) e todos ficam no Brás, no 34º Batalhão da PM, responsável pela fiscalização de trânsito. Os aparelhos são usados prioritariamente nas blitze da operação Direção Segura realizadas de quinta-feira a domingo nas regiões com maior concentração de bares e nas proximidades de grandes eventos. Quando PMs de bairros mais distantes identificam motoristas embriagados têm de solicitar o equipamento ao batalhão. Mas nem sempre conseguem.

Sob a condição de não serem identificados, policiais que trabalham em bairros extremos da zona leste e da zona sul confirmaram o que os clientes do Dunas e de outros bares das duas regiões já perceberam há algum tempo. Em Itaquera, segundo um PM, o patrulhamento de trânsito é feito semanalmente, mas sem o auxílio do bafômetro. “Passam mais de 50 motoristas bêbados por nós toda a semana e não podemos fazer nada”, disse. “Só a nossa percepção não tem valor jurídico e acabamos liberando.” Ele afirma que, mesmo solicitando o aparelho com antecedência, eles não chegam.

Já na zona sul, as blitze deixaram de ser realizadas em setembro, segundo policiais. “Faz um bom tempo que não sabemos o que é um bafômetro”, disse o PM, que atua na área da Capela do Socorro. “Quando a lei saiu havia operação todo fim de semana. Agora é só quando a imprensa aparece.”

Sem fiscalização adequada, a sensação de impunidade aumenta. “Nos lugares mais distantes, os motoristas estão consumindo bebida numa boa. E isso é perfeitamente notável”, disse o coordenador da ONG Direção Preventiva, Sérgio Berti, que mora perto da Avenida Interlagos, na zona sul. Ele defende que os policiais, mesmo sem bafômetro, deveriam encaminhar o motorista suspeito de estar embriagado à delegacia.

O major da PM Ricardo Fernandes de Barros, responsável pelo Batalhão de trânsito, não admite que os bairros mais distantes da cidade estejam desfalcados. Ele garante que quando as companhias precisam de bafômetro são atendidas. “Mas a demanda não é grande”, afirmou. Um levantamento da PM mostra que desde o início das operações, 1.500 pessoas foram submetidas ao bafômetro na zona leste e 1.133 na zona oeste, que concentra os bairros de Pinheiros, Lapa, Vila Madalena e a Cidade Universitária.

Desde que a Lei Seca entrou em vigor, 8,3 mil motoristas foram submetidos ao teste do bafômetro na cidade, dos quais 589 estavam embriagados. Desse total, 192 apresentaram no teste mais de 0,3 miligramas de álcool por litro de ar expelido, o que resulta na apreensão da habilitação.

No fim de outubro, depois das eleições municipais, a PM da capital vai adquirir mais 102 bafômetros. Segundo o major Ricardo, os aparelhos serão distribuídos entre as 102 companhias. Outros 368 etilômetros serão entregues até o fim de novembro aos batalhões do interior do Estado e Grande São Paulo. “Assim que a distribuição for concluída faremos um planejamento de atuação”, disse o major.


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