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terça-feira, 28 de outubro de 2008, 09:43 | Online

Em greve, Polícia Civil amplia pressão sobre governo

Policiais civis de todo o País prometem uma paralisação nacional em apoio ao movimento paulista

Bruno Paes Manso, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Sindicatos e associações de policiais civis em greve desde 16 de setembro decidiram aumentar a pressão sobre o governo do Estado. Na segunda, sete mil policiais civis, segundo os organizadores - e mais de 3 mil, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) -, fizeram uma caminhada que começou na Praça da Sé e seguiu até a sede da Delegacia-Geral de Polícia, na Rua Brigadeiro Tobias, passando pela Secretaria da Segurança Pública.

 

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"A quantidade de pessoas na manifestação é importante para mostrar que o movimento não tinha fins eleitoreiros. Queremos ver agora qual vai ser a desculpa do governador (José Serra)", repetia o presidente do Sindicato dos Investigadores da Polícia Civil, João Rebouças. Nos próximos dias, os grevistas prometem marcação cerrada na agenda do governador, seguindo a estratégia dos manifestantes de Bauru, no interior paulista. Na sexta-feira, policiais civis interpelaram o governador em visita à cidade. Segundo políticos locais, houve até agressões por parte dos manifestantes. Os policiais negam.

 

Na quarta-feira, 29, representantes de sindicatos e associações de todo o Brasil prometem uma paralisação nacional em apoio ao movimento paulista. E está marcada para quinta-feira uma audiência pública na Assembléia Legislativa de São Paulo para discutir com os deputados projetos para a reforma da polícia. Os sindicalistas defenderam que haja nova manifestação na frente do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado, se as propostas de reajuste não avançarem na Assembléia. Procurados pela reportagem, outros líderes se mostraram contrários. A falta de um comando único é uma das queixas do governo estadual na hora de negociar.

 

Foi justamente no Palácio dos Bandeirantes o local do confronto histórico entre policiais civis e militares, ocorrido no dia 16, quando 32 pessoas ficaram feridas. Na manifestação de segunda, a situação foi tranqüila e não houve tumultos. Até o padre Renato Cangianeli, pároco da Catedral da Sé, foi chamado no carro de som para rezar um Pai-Nosso e pedir calma.

 

Um breve registro de confusão ocorreu na Rua Xavier de Toledo, na esquina com o Viaduto do Chá, quando motoboys se irritaram por causa da paralisação no trânsito. Houve empurra-empurra, mas a caminhada seguiu sem problemas.

 

Pouco adiante, na Conselheiro Brotero, policiais militares que organizavam o trânsito chamaram a atenção dos integrantes da passeata. Enquanto alguns aplaudiam, outros faziam gestos obscenos. Depois de se comunicarem por rádio, os PMs deixaram rapidamente o local, sendo substituídos por guardas-civis metropolitanos. Desta vez, a PM não acompanhou a passeata. A rixa entre as corporações, contudo, é evidente: no meio dos discursos, a Tropa de Choque era hostilizada pelos agentes civis.


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