Rio de Janeiro

quarta-feira, 22 de agosto de 2007, 19:58 | Online

Possível excesso na greve da polícia do RJ será apurado

Policiais não aceitam os 25% de reajuste, parcelados em 24 meses, oferecidos pelo governo do Rio

ALEXANDRE RODRIGUES - Agencia Estado

RIO - A corregedoria da Polícia Civil do Rio vai apurar se policiais cometeram excessos durante a greve de três dias que deve ser suspensa amanhã, como a manifestação em que simularam pedir esmolas nas imediações do Palácio Guanabara na terça-feira, 21.

 

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, não gostou do protesto e afirmou, nesta quarta-feira, 22, que a irreverência "é indigna" e não ajuda a sensibilizar o governo e a população. Os policiais não aceitam os 25% de reajuste, parcelados em 24 meses, que o governo ofereceu aos servidores da segurança, saúde e educação.

O presidente do Sindicato dos Policiais do Rio, Fernando Bandeira, não vê motivos para a ação da corregedoria. Ele acredita que uma eventual punição poderá aumentar a insatisfação da categoria. "Qualquer cidadão tem o direito de ser criativo para transmitir a sua insatisfação. Isso é melhor do que roubar, extorquir. A corregedoria deveria se dedicar aos maus policiais, que cometem crimes", afirmou.

Os policiais civis fluminenses devem encerrar amanhã, em assembléia, a greve de três dias da categoria. Segundo Bandeira, a tendência é dar uma trégua para que o governo possa aceitar o pedido da categoria de reincorporação de uma gratificação perdida no governo passado, em lugar do reajuste escalonado. No entanto, o movimento grevista continuará.

 

O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), disse hoje que não há qualquer possibilidade de renegociação com policiais, servidores da saúde e professores, que também estão em greve.

"Fizemos um longo estudo antes de concluir os 25% de reajuste em parcelas. Gostaria muito de poder dar esse aumento em uma parcela, mas encontramos um déficit orçamentário de quase R$ 750 milhões. Não queiram resolver agora uma situação de defasagem salarial que existe há dez anos. Se meus antecessores tivessem feito o que estou fazendo, os servidores teriam outra realidade", argumentou Cabral.


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