Rio de Janeiro

quinta-feira, 18 de outubro de 2007, 16:50 | Online

Jobim elogia Cabral por 'enfrentar crime' no RJ

"No caso do Rio, houve uma decisão correta do governo do Estado", afirma ministro da Defesa

TÂNIA MONTEIRO - Agencia Estado

PORTO VELHO - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, elogiou nesta quinta-feira, 18, a decisão do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, de enfrentar o crime organizado ao desencadear a operação de desarmar grupos criminosos nas favelas cariocas. Na quarta-feira, 17, uma operação da polícia civil na Favela da Coréia, em Senador Camará, na zona oeste do Rio, deixou 12 mortos, entre os quais uma criança de apenas 4 anos, que foi atingida por uma bala perdida no peito.

 

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"Pelas atribuições constitucionais, a segurança pública é da função dos Estados. No caso do Rio, houve uma decisão correta do governo do Estado de ir para o enfrentamento, eliminando aquelas acomodações que existiam antes de ter um enfrentamento com o crime organizado", comentou o ministro. Jobim não quis dizer se era contra ou favor de as tropas federais assumirem o combate ao crime no Rio.

 

O ministro disse que um estatuto legal para este tipo de emprego está sendo estudado pela Defesa, mas mostrou-se francamente favorável à idéia ao reconhecer que a presença do Exército dá uma "sensação de segurança" para a população do Estado. "Não tenho dúvida nenhuma de que a presença das Forças Armadas (nas ruas) no Rio contribuiria para percepção da segurança da população", declarou ele, ao encerrar uma semana de visita a 17 unidades militares no extremo oeste do País.

Mais cedo, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), admitiu que a operação será adotada como modelo para outras ações da polícia civil no Rio. "O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, tem carta branca para agir e o meu estímulo para que trabalhe cada vez mais nessa direção", disse o governador.

  

Sobre a operação, que contou com mais de 250 homens, o governador afirmou que a polícia estava lá "para defender os inocentes e livrar a comunidade da barbárie". Segundo ele, o combate será permanente. "Não tem mágica. É um trabalho que começou e não vai parar, de combate à militarização. São criminosos que deixam toda a cidade em pânico e temos que combatê-los."

 

O próprio secretário de Segurança admitiu que esse tipo de operação deverá ser adotado com mais freqüência pelas forças de segurança do Rio. "Os blindados estão cravejados de munição ponto 30. Não é possível que esse tipo de armamento e de pessoas sem compromisso com a vida, transitem pelo Rio de Janeiro com essa mercadoria. Não queremos usar a política do fuzil, mas vamos ao encalço do material e dos traficantes", afirmou.

 

A operação reuniu policiais civis de delegacias especializadas do Rio terminou com a morte de 12 pessoas - dez acusados de ligação com o tráfico, um policial e a criança. A ação durou sete horas e teve, durante todo o tempo, intensas trocas de tiros em diferentes pontos da favela, que é plana e se estende por cerca de cinco quilômetros às margens da estrada do Taquaral.



Enterros

Nesta tarde de quinta-feira, foram enterrados o policial Sergio Silva Coleho e o menino de quatro anos, Jorge Kauã, que morreram durante a operação na Favela da Coréia. Kauã foi enterrado no Cemitério do Irajá às 16 horas.

 

Traficante reconhece mortos


A polícia prendeu nesta quinta um traficante da Favela da Coréia que foi expulso pelos seus colegas de tráfico porque teria se acovardado durante o confronto de ontem com os policiais. Ele prestou depoimento na delegacia e, segundo policiais, já teria dito que todos os mortos são de traficantes e que está disposto a dar todas as informações sobre o tráfico no local.

 

Poder de fogo

 

Quatro policiais ficaram feridos e 13 pessoas foram presas. A própria polícia ficou surpresa com o poder de fogo dos traficantes, já que em muitos pontos da favela policiais foram encurralados pelos traficantes e precisaram pedir reforços e munição. O próprio comandante da operação, delegado Allan Turnowski, teve de solicitar o apoio do helicóptero da Polícia Civil para conseguir sair do interior da favela. "A atuação do helicóptero tem que ser muito elogiada. Ele foi usado de forma a não permitir que os traficantes pulassem muros. Em um determinado momento, eles pousaram o helicóptero, desceram para a infantaria e voltaram para o helicóptero para sobrevoar a área", disse Turnowski.

 

Imagens da TV Globo mostram um dos momentos mais tensos da operação aconteceu por volta das 11 horas. Policiais que estavam no helicóptero trocavam tiros com traficantes que se escondiam dentro de casas, e fugiam para a mata, na tentativa de escapar da mira dos policiais. Durante a operação, foram apreendidos pela polícia uma metralhadora ponto 30, cinco fuzis, seis pistolas, quatro granadas e munição.