Política
quinta-feira, 18 de outubro de 2007, 20:16 | Online
Em novo episódio no STF, ministro se irrita e deixa sessão
Eros Grau se irrita com falatório; desde o julgamento do mensalão, clima no Supremo tem sido de rispidez
FELIPE RECONDO - Agencia Estado

Em determinados momentos do julgamento, vários ministros discutiam, ao mesmo tempo, a ação ao microfone. Eros Grau, relator da ação, tentava esclarecer sua proposta para o julgamento e era constantemente interrompido pelos demais colegas. "Eu não tenho mais nada a declarar enquanto for interrompido", disse.
Os ministros fizeram silêncio e ouviram a proposta de Eros Grau. Depois, voltaram a discutir desordenadamente. O ministro levantou-se e deixou o plenário sob os apelos do ministro Marco Aurélio: "Permaneça no plenário, ministro. O senhor é o relator. Não vamos poder prosseguir".
O ministro Carlos Alberto Direito foi atrás de Eros Grau e o convenceu a retornar ao plenário. Na sala de lanches, colada ao plenário, o ministro não chegou a ouvir a crítica da presidente do STF, Ellen Gracie. "Essa é uma casa de debates, uma casa em que se faz necessário esgotar os argumentos para chegarmos a boas conclusões".
De volta, Eros admitiu ter errado ao ter deixado o julgamento. "Me permita uma expressão: ainda bem que minha mãe já se foi. Se ela estivesse assistindo isso hoje, quando chegasse em casa, levaria uns tapas por ter sido mal-educado. Mas não fui sozinho."
Mesmo com o retorno de Eros Grau, o julgamento foi novamente suspenso. Ele começou ontem, foi rapidamente interrompido por uma das defensoras públicas de Minas ameaçadas de perder o emprego e retornou hoje. O caso voltará à pauta do plenário na próxima semana.
Desde agosto, durante o julgamento do mensalão, o clima no Supremo tem sido de rispidez entre alguns ministros. Na época, os ministros Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia discutiam, pelo computador, a divisão do STF em grupos.
O diálogo foi divulgado, o que gerou mal estar entre os demais membros da Corte. Há três semanas, os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes trocaram acusações no plenário durante um julgamento que até o momento não foi retomado.