Europa
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008, 00:57 | Online
Pai de Carla Bruni critica imprensa sensacionalista
Maurizio Remmert vive em São Paulo há 32 anos e passou a ser assediado por causa de romance da filha
Luiz Américo Camargo

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A primeira menção pública ao fato de que o pai de Carla Bruni vivia no Brasil foi feita há onze meses, nas páginas de O Estado, quando o empresário, aficionado por vinhos e gastronomia, foi entrevistado pelo caderno Paladar. Remmert conta que jamais falou a respeito sobre o assunto, a não com a família e amigos próximos. E lamenta que seu nome agora apareça em reportagens de tablóides sensacionalistas, com os quais se recusa a conversar. Em entrevista exclusiva ao Estado - "a única que pretenda dar" - , ele fala sobre sua relação com a filha e, principalmente, clama por sossego.
Em poucos dias, o senhor passou da condição de pai de uma cantora famosa para pai da futura primeira-dama da França... Como tem sido isso?
No que diz respeito à relação com a Carla, não muda nada. É minha filha, quero o bem dela, que seja feliz. Agora, o que me deixa indignado é o assédio desleal da imprensa sensacionalista, e as muitas mentiras que foram publicadas. Um desses jornais, por exemplo, saiu com a seguinte manchete: "Empresário reclama ser o pai de Carla Bruni". É um absurdo, é como se eu quisesse aparecer. Quero deixar claro o seguinte: nunca alardeei nada a respeito. A primeira vez em que fui citado como pai dela foi no Paladar, há quase um ano, e o assunto era gastronomia. A repórter que foi à minha casa fazer uma reportagem sobre meus equipamentos de cozinha viu uma foto da Carla e perguntou se eu a conhecia. Outras pessoas que estavam presentes responderam: "Ele é o pai dela". Eu não desmenti, foi publicado, e só. Agora, tenho minha privacidade invadida, a última coisa que queria. Sou um homem normal, não uma figura pública, não me conhecem. Quero continuar a viver assim.
Por isso esta é sua primeira entrevista a respeito...
Primeira e única. Resolvi falar ao Estado porque é um jornal sério, o que leio desde que vim para o Brasil trabalhar com alimentos. Quero rebater as bobagens que têm sido publicadas. A começar da própria história de como a Carla soube que eu era seu pai, a minha relação com a mãe dela, a Marisa Tedeschi e outras coisas mais. Depois, me recolho ao meu silêncio.
Você sabe que Carla é sua filha desde quando?
Desde sempre, quando ela nasceu, há quarenta anos. Vivíamos em Turim, e nos conhecíamos do ambiente musical da cidade. Eu tinha 19 anos quando comecei a me relacionar com Marisa, pianista, então com 32. Alberto, seu marido, era empresário e compositor. Toquei muito tempo, gravei discos, fiz concertos, e convivíamos como músicos. Tive uma grande história de amor com ela, durante seis anos, não um caso fugaz. Ela era casada e, à época, não revelamos que eu era o pai quando Carla nasceu, em 1967. Essa história, lá em Turim, é sabida. Mas, por natureza, nós do Norte da Itália somos discretos.
E Alberto Bruni Tedeschi já sabia?
Não sei dizer quando ele descobriu, mas faz tempo (Tedeschi morreu em 1996). Ele era uma pessoa sensacional, e sempre tratou Carla como sua legítima filha. Quando ele estava doente, Marisa contou à Carla quem era seu pai. E não teve nenhum dramalhão, nada de confissões à beira da morte. Foi um conversa de adultas, mãe e filha. Quando encontrei Carla pela primeira vez, já com ela sabendo a verdade (pois já nos conhecíamos, desde que ela nasceu), foi algo natural, tranqüilo, nosso relacionamento é ótimo. O curioso é que ela dizia que sempre se sentiu diferente dentro da família. Hoje ela é muito próxima da Consuelo, minha outra filha, que é muito bem-sucedida como administradora de empresas em Nova York. Converso com Carla freqüentemente e, sempre que posso, vejo meu neto, que é inteligente como pai, o filósofo Rafael Enthoven, que estimo muito.
Vocês e Carla falam a respeito de Sarkozy?
Eu não me meto na vida das minhas filhas. Quero que Carla, Consuelo, e minhas enteadas Ana Paula e Ana Luiza sejam felizes, seja com quem for.
Ela não falou sobre o casamento com o presidente?
Não, e eu não pergunto, ela que me conte quando quiser. Por esse motivo, além da privacidade, tenho recusado falar com tanta gente que tem me procurado. Eu não sei, não tenho o que contar. E, mesmo assim, fizeram absurdos. Jornalistas de tablóides conseguiram meu celular, o que me obrigou a mudar meus números; invadiram meu escritório, imagine, estamos falando de propriedade privada; abordaram minha mulher, Marcia de Luca, que é professora de ioga e radialista e, portanto, uma pessoa mais conhecida; e incomodaram até minha sogra, uma senhora de 84 anos com problemas de saúde.
E com Sarkozy, o senhor conversa?
Sobre isso, não tenho o que comentar.