América Latina

segunda-feira, 3 de março de 2008, 01:55 | Online

Colômbia diz que Equador mantém 'laços' com as Farc

Documentos apreendidos revelam as relações entre guerrilha e governo equatoriano e presença rebelde no país

Associated Press

BOGOTÁ - O governo colombiano disse que o Equador mantém laços com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), segundo documentos encontrados em um dos computadores do guerrilheiro Raúl Reyes, morto no sábado. Segundo a Colômbia, os documentos revelam encontros e supostos acordos entre o governo equatoriano de Rafael Correa e a guerrilha.

 

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Cópias dos documentos, um de 18 de janeiro e outro de 28 de fevereiro, ambos assinados pelo falecido Raúl Reyes e dirigidos aos chefes das Farc, foram apresentados pelo general Oscar Naranjo, diretor da Polícia Nacional, aos jornalistas no palácio do governo após o presidente Correa anunciar a expulsão do embaixador colombiano de Quito.

 

Naranjo disse que os documentos fazem parte da abundante documentação apreendida na operação efetuada pelo exército e polícia colombianos no sábado em território equatoriano, uns 1.800 metros da fronteira com a Colômbia, em que morreu Reyes.

 

Os documentos são "extremamente reveladores... E ao mesmo tempo demandam respostas das autoridades equatorianas" sobre os vínculos das Farc com o governo equatoriano, disse Naranjo.

 

"Repostas concretas são necessárias" sobre "o estado da relação, os motivos que produziram as entrevistas e contatos pessoais com Raúl Reyes em território equatoriano ou colombiano e é preciso esclarecer o alcance dessas relações que, em nossa opinião, afetam a segurança nacional colombiana, acrescentou o militar. Os documentos contêm "provas evidentes e contundentes que Raúl Reyes manteve uma agenda com o Equador", disse o oficial.

 

Os documentos não revelam o fornecimento de armas e munições por parte do Equador para os rebeldes, mas sim o nível das relações e da presença rebelde no país, que admitiu não ter numerosos contingentes militares na fronteira com a Colômbia, de uns 586 quilômetros de extensão.

 

Colômbia vai contar com a ajuda de agências de inteligência dos Estados Unidos para analisar todo o conteúdo dos computadores encontrados no acampamento rebelde no Equador e que foi tomado por uns 60 militares, infantes da marinha e policiais colombianos após um bombardeio aéreo com a assistência da inteligência americana, disse a AP um alto integrante da força conjunta que participou da operação e que falou em condição de anonimato.

 

No primeiro documento de 18 de janeiro, Reyes narra ao secretariado das Farc que teve um encontro com o ministro da Segurança equatoriano, Gustavo Larrea. O documento não tem a data nem o lugar da reunião. Entre os temas tratados estão o "interesse do presidente (Correa) em oficializar as relações com a direção das Farc", segundo mostra o texto. De acordo com a mensagem de Reyes, o governo equatoriano "considera (Uribe) perigoso na região".

 

Também, segundo Naranjo, se solicita ao máximo chefe das Farc, Manuel Marulanda, conhecido como "Tirofijo", uma contribuição que impulsione a gestão de Correa na troca humanitária, que poderia ser entregar a seu Governo o filho de um professor de sobrenome Moncayo, em poder dos rebeldes há mais de 10 anos.

 

Através do porta-voz Edmundo Carrera, o ministro de Segurança Interna e Externa equatoriano, Gustavo Larrea, assinalou que "os documentos são uma mentira e que a Colômbia tenta diminuir a gravidade do que fez".

 

No documento de 28 de fevereiro, Reyes narra ao secretariado da guerrilha o êxito da operação de entrega, um dia antes, ao presidente Hugo Chávez de quatro ex-congressistas colombianos que estavam seqüestrados há seis anos. O texto revela ainda que o "ponto negro" da liberação foi que um dos libertados informou sobre o estado grave da ex-candidata presidencial, Ingrid Betancourt. "O ponto negro é o crescimento da pressão pela libertação de Ingrid", que tem "um temperamento explosivo, é grosseira e provocadora com os guerrilheiros que cuidam dela".


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