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sexta-feira, 4 de julho de 2008, 06:15 | Online

'Fiquei acorrentada 24 horas por dia durante 3 anos', diz Ingrid

Franco-colombiana conta que chegou a pensar no suicídio e que imaginava que seria refém por mais 4 anos

Efe

Ingrid atende jornalistas em coletiva em Bogotá

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Ingrid atende jornalistas em coletiva em Bogotá

PARIS - A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt contou que permaneceu acorrentada 24 horas por dia durante três anos. Ela disse também que em alguns momentos era submetida a maus-tratos, mas que apesar de tudo tentou "viver com dignidade". "Tentava carregar as correntes e viver com dignidade, mas às vezes me dava conta de que era insuportável", disse Betancourt em entrevista transmitida nesta sexta-feira, 4, pela emissora de rádio francesa Europe 1, poucas horas antes de desembarcar em Paris.

 

"A morte é a companheira mais fiel de um refém", afirmou a repórteres na quinta-feira. "Nós vivíamos ao lado da morte. E a tentação do suicídio sempre nos acompanhou."

 

 

 

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Perguntada sobre as humilhações às quais foi submetida, respondeu que "havia momentos de maus-tratos", e disse que o tratamento que recebia dos guerrilheiros "era variável" e que "sabia que em qualquer momento esse lado cruel podia surgir". A ex-candidata presidencial franco-colombiana não quis entrar em detalhes sobre os maus-tratos, e assinalou que quando entrou no helicóptero do Exército que a libertou junto com outros 14 seqüestrados disse a si mesma que "as pessoas não deveriam conhecer esses detalhes sórdidos". Além disso, contou que acreditava que seu seqüestro duraria mais quatro anos. Os dois que faltam para o fim do mandato do atual governo colombiano, e outros dois que seriam necessários para relançar um processo para a libertação de reféns.

 

O que fez com que prosseguisse mesmo nos momentos mais sombrios, contou, foram as lembranças de sua família, e em especial as da filha e do filho. Junto de seus filhos novamente, na quinta-feira, a ex-candidata, 46, prometeu grudar neles e nunca deixar de cobri-los de beijos. Os dois impediram-na de afogar-se no que descreveu como sendo um mar de desesperança. "Em cada aniversário deles, eu lhes cantava 'Parabéns pra Você'. Mesmo se trouxessem um biscoito ou a refeição tradicional de arroz e feijão, eu fingia que se tratava de um bolo e comemorava o aniversário deles em meu coração", escreveu certa vez Ingrid , do cativeiro.

 

A ex-candidata começou a fumar enquanto no cativeiro. Ela usava alguns dos cigarros para obter produtos de primeira necessidade como um pedacinho de sabonete ou remédios para sua dor de estômago.  A refém tomava banho completamente vestida para não ser vista nua pelos homens encarregados de vigiá-la. Questionada sobre se havia sofrido algum tipo de violência sexual, Ingrid respondeu: "Eu tive experiências dolorosas. Mas não quero falar disso aqui, neste momento de alegria."

Ingrid, que voa em direção a Paris, onde esta tarde vai ser recebida no aeroporto militar de Villacoublay, nas cercanias de Paris, pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que está "ansiosa" para chegar, especialmente para ficar com sua família na França.

 

Na entrevista, ela disse que está "muito surpreendida" com a popularidade que tem e agradeceu a todos por "acompanhá-la" durante o período em que esteve em cativeiro. "Sinto que sou abençoada por Deus", afirmou. Ao comentar sobre seus filhos, Ingrid disse que encontrou "adultos com uma personalidade extraordinária, grande inteligência e grande espiritualidade".

 

Matéria ampliada às 9h15.


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