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sexta-feira, 5 de setembro de 2008, 14:28 | Online
Opositores isolam regiões da Bolívia; Evo denuncia 'golpe civil'
Mais prédios públicos são ocupados pela oposição; eles protestam contra referendo para nova constituição
Agência Estado e Associated Press
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"As ações do chamado Conselho Nacional da Direita, Conalde, coincidem com as assumidas durante o levantamento armado contra a democracia em 17 de julho de 1980. Agora tenta iniciar um golpe civil tomando instituições", disse Evo, segundo a Agência Boliviana de Informação (ABI).
O presidente se referia ao sangrento golpe militar liderado por Luis García Meza Tejada, que impediu a posse de Hernán Siles Zuazo. O Conselho Nacional Democrático é o bloco da oposição que agrupa os governadores autonomistas. Para Evo, o protesto não é uma "reivindicação", mas uma "ação política da direita para conspirar, é um golpe civil de estado."
A principal via que une o oeste e o leste do país estava interrompida nesta sexta-feira, com centenas de veículos parados, segundo a polícia. O coronel José Murillo informou que estavam suspensas as viagens de passageiros entre La Paz e Santa Cruz.
Os bloqueios foram ordenados na quarta-feira por governadores opositores de cinco dos nove Departamentos (Estados). Eles protestam contra a intenção do governo de convocar um referendo, no qual a população decidiria sobre uma nova constituição, cujo texto foi rechaçado pelos oposicionistas.
Chaco, no sul do país, sofria a situação mais crítica. Algumas rodovias estão interditadas há 12 dias e várias localidades sofrem com a escassez de combustíveis e alimentos, informou a emissora Erbol.
Pelo menos dez rotas da rede principal de transportes do país estavam cortadas, entre elas uma que se liga com a Argentina e outra com o Paraguai. Grupos opositores radicais se mantinham entrincheirados em repartições públicas de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija. As quatro regiões promovem sua autonomia de uma maneira considerada ilegal pelo governo central.
Ameaças
Os opositores ameaçaram tomar instalações petroleiras e cortar o fornecimento de gás para Brasil e Argentina. O governo por isso reforçou a vigilância militar nessas instalações.
A representante do governo federal em Tarija, Celinda Sosa, denunciou nesta sexta-feira que partidários da oposição tomaram uma instalação de produção de gás natural e uma fábrica de cimento. Celinda advertiu para a possibilidade de cortes elétricos nessa capital do sul boliviano.
O governo aprovou uma decreto na quinta-feira em que adverte que os custos dos danos a instalações públicas serão descontados dos orçamentos regionais.
A crise política dos últimos nove meses se aprofundou após o referendo revogatório de 10 de agosto, no qual Evo foi ratificado no cargo com 67% dos votos. O presidente anunciou que pretende avançar em suas reformas, entre elas a nova constituição.
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