_Oriente Médio
terça-feira, 30 de dezembro de 2008, 18:48 | Online
Estratégia do Hamas levou ao fim do cessar-fogo em Gaza
Retorno do grupo contra Israel faz parte de lógica para aparecer como principal resistência dos palestinos
Stephen Farrell - The New York Times

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Para Israel, a contagem incentivou um debate interno sobre como reagir contra a ameaça do mísseis caseiros do Hamas e de outras facções palestinas armadas. Para o Hamas, a grande existência desse número em um escritório israelense é uma conquista. Para qualquer um que vê as colunas de fumaça nos céus de Gaza nos últimos dias, o Hamas domina o noticiário da televisão e as manchetes dos jornais. Não é apenas a publicidade, mas o status em que o grupo transformou-se no principal movimento de resistência palestina. Seu rival secular, o Fatah, está instalado na linha secundária, marginal da violência que atinge Gaza, de onde foi expulso pelo Hamas no meio de 2007.
As questões permanecem: por que o Hamas encerrou o cessar-fogo de seis meses no dia 19 de dezembro? Eles querem/podem lançar ataques suicidas dentro de Israel em retaliação? E a devastação fará com que os palestinos entrem na linha atrás do Hamas, assim como confiança no grupo no passado, ou perderão apoio enquanto os cidadãos contam os custos da escalada de violência em sangue e destruição?
Mesmo sabendo que a retaliação era certa, o Hamas encerrou o cessar-fogo em parte por conta da antiquada disciplina e persistência: por anos, pregaram aos palestinos que rejeitassem a crença de que a negociação do Fatah com Israel chegaria a lugar nenhum. O caminho do Hamas era pela luta armada, e argumentou ano após ano que este era o único meio. E parece que o Hamas voltou a adotar sua lógica própria para o cessar-fogo: o líder supremo do grupo, Khaled Meshal, disse em 27 de dezembro que a trégua rendeu poucos frutos. Se não há benefícios específicos - como a libertação de prisioneiros ou o fim dos bloqueios contra Gaza - então a opção, novamente, é voltar com o uso da violência. Eles podem ter calculado que os foguetes - 60 em um único dia - restaurariam o status entre os palestinos como campeões da "resistência" contra o inimigo sionista, cujos soldados e assentados não estão mais na Faixa de Gaza ocupada pelo Hamas.
A maior questão que permanece é se o Hamas esperava por uma ofensiva israelense que destruiu tantos edifícios e deixou Gaza revirada. O resultado, por enquanto, é distante do real porque nenhum lado expôs seu arsenal completo disponível. Alguns em Gaza acreditam que o Hamas quer que os soldados israelenses entrem na região, porque tiveram 18 meses para contrabandear armas pelos túneis desde que tomou o controle do território palestino. Nos últimos anos, depois da retirada de Israel de Gaza em 2005 e o início da construção da barreira na Cisjordânia, ficou mais difícil atacar israelenses.
Israel, de qualquer forma, está ciente dos riscos e não agirá de forma flexível em um retorno militar em larga escala em Gaza. O ponto crucial é se os palestinos culparão Israel por atacá-los, como o Hamas espera, ou o Hamas por provocar a ofensiva, assim como esperam o Fatah e os aliados do Ocidente.
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