América Latina

quinta-feira, 16 de agosto de 2007, 14:25 | Online

'A terra se moveu como nunca, como uma serpente'

Morador de Lima descreve ao estadao.com.br o que sentiu quando terremoto atingiu costa do Peru

André Mascarenhas

SÃO PAULO - "Era como estar imerso em um filme de tragédia sem saber o que poderia acontecer em seguida." É assim que o peruano Hector Chumpitazi Cadillo, de 25 anos, descreve o que sentiu quando a terra tremeu sob seus pés no começo da noite de quarta-feira, 15. Morador da cidade de Lima, Cadillo estava no escritório quando o terremoto de 7,9 graus de magnitude sacudiu boa parte do sul do Peru.

 

 

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Ainda chocado pelas conseqüências do tremor - que deixou mais de 350 mortos e cujos abalos secundários continuavam sendo sentidos na manhã desta quinta-feira - ele contou em detalhes como foi o episódio em entrevista por e-mail ao estadao.com.br.

 

"Aqui em Lima tudo começou de maneira suave, e a maioria das pessoas pensavam que seria um tremor comum. No começo ninguém se mobilizou, mas conforme a intensidade e o tempo de duração iam aumentando, a população começou a sair para as zonas seguras", conta Cadillo.

 

Como o Peru está localizado em uma área de grande atividade sísmica, algumas construções nos principais centros urbanos contam com locais menos suscetíveis aos riscos provocados por um eventual tremor, as chamadas "zonas de segurança".

 

"Eu estava mais preocupado com a minha família do que comigo", relata o jovem, que mora no 7º andar e que temia que seus parentes estivessem no elevador na hora do tremor. O terremoto aconteceu por volta das 18h30 (horário local), momento em que seus familiares costumam chegar do trabalho.

 

Recuperado do susto, Cadillo classificou a sensação passada em um tremor destas proporções como um "fenômeno interessante".

 

"A terra se moveu como nunca, eu nunca havia sentido um tremor tão forte. O simples fato de ver o concreto se mover de forma ondulante, como uma serpente, é assustador", disse.

 

Lucro na tragédia

 

Cadillo conta ainda que após o terremoto, o trafego em Lima ficou "impossível". Segundo ele, muitos motoristas de ônibus e táxi aproveitaram o caos para aumentar as tarifas cobradas dos passageiros. Em alguns casos, os preços ficaram 150% mais caros do que o normal.

 

Além dos problemas de transporte, os moradores da capital também sofreram com a falta de luz e com o temor de que um tsunami atingisse a costa. Na distrito de Callao, onde está o porto e o aeroporto de Lima, moradores foram retirados de suas casas. Próximo dali, no centro da cidade, casarões com estruturas mais antigas não agüentaram e foram destruídos pelos tremores.

 

Embora aparentemente não haja registros de mortos na capital, Cadillo descreve como foi a repercussão do terremoto entre os moradores da cidade: "O que se percebia era um pânico total. Aqui as pessoas temem muito os tremores. As mulheres choram, todos se assustam muito. Minha família está bem, minha casa inteira... Mas o que sinto é um vazio no peito."


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