América Latina
quinta-feira, 8 de novembro de 2007, 04:07 | Online
Morales defende aproximação com Irã e investimentos na Bolívia
'Recebi mensagens de Cuba e da Venezuela dizendo que o Irã queria se aproximar e ter relações', disse Evo
Efe
"Se há países como o Irã que querem investir, ajudar em cooperação e com créditos de maneira incondicional, sejam bem-vindos", disse o dirigente boliviano.
Morales justificou assim a aproximação entre seu governo e o do Irã, refletido na recente assinatura de um plano de cooperação no valor de US$ 1,1 bilhão nos próximos cinco anos.
"Haverá investimentos de outros países, como Irã e Venezuela, e não vamos ficar nisso", disse Morales, em uma referência à sua próxima viagem pelos países árabes na busca de mais apoios.
O governante comentou também que o estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países foi motivado por diversas razões. Entre elas, as sugestões de Cuba e Venezuela.
"Recebi mensagens de Cuba e da Venezuela dizendo que o Irã queria se aproximar e ter relações", contou.
A abertura de relações diplomáticas entre Bolívia e Irã foi muito criticada pela oposição boliviana e pelos Estados Unidos. O governo americano desconfia da crescente atividade do regime iraniano na América Latina, especialmente em Cuba, na Nicarágua e na Venezuela.
"Seguramente é uma preocupação dos Estados Unidos achar que a América Latina é seu quintal. Isso acabou. Não há por que temer. Os povos têm direito à rebelião e à revolução contra a opressão", acrescentou.
Hidrocarbonetos e recursos naturais
Morales se defendeu também das críticas à decisão de nacionalizar os hidrocarbonetos e recursos naturais no país, argumentando que a política "é um direito da Bolívia".
"Há uma corrente dentro de algumas empresas petrolíferas que tende à sabotagem e à chantagem. São ações políticas", denunciou.
Durante a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, à Bolívia, dia 27 de setembro, os dois governantes ratificaram sua aliança contra os Estados Unidos e defenderam o direito a desenvolver energia nuclear "com fins pacíficos".
Recentemente, o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, justificou o plano nuclear do Irã e afirmou que EUA, França, Rússia e Israel têm "bombas atômicas". Além disso, Argentina e Brasil realizam "atividades nucleares", ressaltou.