América Latina

sábado, 10 de novembro de 2007, 14:50 | Online

'Por que não se cala?', diz rei espanhol a Hugo Chávez

Juan Carlos responde a críticas de presidente venezuelano sobre governo do ex-premiê José María Aznar

Efe

SANTIAGO - O rei Juan Carlos da Espanha perguntou neste sábado, 10, ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, "por que não se cala?", no plenário da 17ª Cúpula Ibero-americana de chefes de Estado e de governo, diante das críticas feitas pelo líder venezuelano contra o ex-primeiro-ministro espanhol José María Aznar.

 

Chávez, que nesta sexta-feira chamou Aznar de "fascista" nas sessões da cúpula, insistiu nas críticas, e afirmou que, em uma conversa particular, o espanhol usou o termo "esses se f..." ao se referir aos países mais pobres do mundo.

 

Diante dessa intervenção, o premiê espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, pediu a palavra para lembrar ao líder venezuelano que estava em uma mesa com governos democráticos que representam seus cidadãos em uma comunidade ibero-americana que tem como princípio essencial o respeito.

 

"Pode estar nos antípodas de uma posição ideológica, e não serei eu que estará perto das idéias de Aznar, mas foi eleito pelos espanhóis e exijo esse respeito", disse Zapatero, enquanto Chávez tentava interrompê-lo defendendo seu direito de opinar livremente.

 

Essa atitude de Chávez provocou a intervenção do rei da Espanha, sentado entre Zapatero e seu ministro de Exteriores, Miguel Ángel Moratinos. Zangado, o rei Juan Carlos apontou o dedo para Chávez e perguntou: "por que não se cala?".

 

A presidente do Chile e anfitriã da cúpula, Michelle Bachelet, teve que mediar para tentar evitar que a sessão se transformasse em uma troca de acusações, e cedeu novamente a palavra a Zapatero, que insistiu na necessidade de não cair na desqualificação, apesar de se discordar radicalmente das idéias ou comportamentos de outra pessoa.

 

Cúpula

 

Neste sábado, a última sessão de trabalhos da Cúpula, que reuniu chefes de Estado e de governo de 22 países. Durante a reunião, deve ser aprovada a Declaração de Santiago, que tem um conteúdo marcadamente social e possui compromissos para avançar "em direção a níveis crescentes de inclusão, justiça, proteção, assistência social e solidariedade".

 

No encerramento da sessão, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, o presidente de El Salvador, Elías Antonio Saca, e o chefe da Secretaria-Geral Ibero-americana (Segib), Enrique Iglesias, concederão uma entrevista coletiva para anunciar os resultados da cúpula.


Além deste documento e do programa de ação, os chefes de Estado e de Governo aprovarão comunicados especiais sobre o combate ao terrorismo e à corrupção, a reivindicação argentina de soberania nas Ilhas Malvinas, a rejeição do bloqueio dos Estados Unidos a Cuba e a cooperação para o desenvolvimento com países de renda média.

As autoridades presentes lançarão ainda o Convênio Multilateral de Previdência Social, que poderá beneficiar 6 milhões de imigrantes latino-americanos.

Pela primeira vez na cúpula, os líderes ibero-americanos se reuniram na sexta-feira em um conclave, sem agenda prévia, para discutir com mais liberdade problemas regionais, em um ambiente político tenso.


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