América Latina
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007, 07:17 | Online
Chávez perde em referendo sobre perpetuação no poder
SAUL HUDSON - REUTERS
CARACAS - O presidente venezuelano, Hugo Chávez,
sofreu uma derrota eleitoral inédita na sua carreira, com a
rejeição em referendo de uma reforma constitucional que lhe
permitiria disputar a reeleição indefinidamente e aprofundar
sua "revolução socialista".
O "não" obteve 50,7 por cento dos votos no domingo e o "sim" ficou com 49,49 por cento, segundo resultados divulgados na madrugada de segunda-feira.
Imediatamente, seguidores da oposição tomaram as ruas de Caracas com seus carros, bandeiras, buzinas e gritos. Muitos consideravam que a Venezuela havia escapado por pouco da imposição de um regime autoritário.
"A reforma teria feito algumas mudanças assustadoras no país", disse em êxtase Astrid Badell, 18 anos, tirando da boca um apito verde de plástico. "Teria sido praticamente uma cópia da Constituição cubana, e isso seria um grande passo para trás."
Embora Chávez continue popular e poderoso, essa foi a primeira derrota sofrida por ele em nove anos.
O auto-intitulado revolucionário socialista, aliado incondicional de Cuba, admitiu a derrota, mas disse que vai "continuar a batalha para construir o socialismo". Declarou ainda que a proposta segue "viva", o que sinaliza uma intenção de insistir nela.
"Não é nenhuma derrota, para mim este é outro 'por enquanto"', declarou Chávez, repetindo a frase que disse em 1992 ao admitir o fracasso do golpe tentado por ele, então tenente-coronel pára-quedista do Exército.
Em seu pronunciamento no palácio de Miraflores, Chávez não parecia desanimado. Pediu aos seguidores que não se entristecessem e desejou "Feliz Natal" a todos.
"Ouvi a voz do povo e vou sempre ouvi-la", afirmou.
Estudantes, ONGs, grupos empresariais, partidos de oposição, o clero católico, alguns antigos aliados e até a ex-mulher de Chávez, normalmente leal a ele, haviam se manifestado contra a reforma constitucional.
"A Venezuela disse 'não' ao socialismo. A Venezuela disse 'sim' à democracia", afirmou Leopoldo López, popular prefeito de um dos distritos de Caracas.
Admirado nas favelas e zonas rurais pobres da Venezuela, Chávez, de 53 anos, não esconde seu desejo de governar até morrer. Mas, sem uma reforma constitucional, terá de deixar o poder em 2013.
Três ministros haviam dito antes que Chávez venceria o referendo por uma margem de pelo menos seis pontos percentuais -- vantagem que foi sumindo conforme os resultados iam sendo divulgados.
(Com reportagem de Hugh Bronstein, Brian Ellsworth, Patricia Rondon)
O "não" obteve 50,7 por cento dos votos no domingo e o "sim" ficou com 49,49 por cento, segundo resultados divulgados na madrugada de segunda-feira.
Imediatamente, seguidores da oposição tomaram as ruas de Caracas com seus carros, bandeiras, buzinas e gritos. Muitos consideravam que a Venezuela havia escapado por pouco da imposição de um regime autoritário.
"A reforma teria feito algumas mudanças assustadoras no país", disse em êxtase Astrid Badell, 18 anos, tirando da boca um apito verde de plástico. "Teria sido praticamente uma cópia da Constituição cubana, e isso seria um grande passo para trás."
Embora Chávez continue popular e poderoso, essa foi a primeira derrota sofrida por ele em nove anos.
O auto-intitulado revolucionário socialista, aliado incondicional de Cuba, admitiu a derrota, mas disse que vai "continuar a batalha para construir o socialismo". Declarou ainda que a proposta segue "viva", o que sinaliza uma intenção de insistir nela.
"Não é nenhuma derrota, para mim este é outro 'por enquanto"', declarou Chávez, repetindo a frase que disse em 1992 ao admitir o fracasso do golpe tentado por ele, então tenente-coronel pára-quedista do Exército.
Em seu pronunciamento no palácio de Miraflores, Chávez não parecia desanimado. Pediu aos seguidores que não se entristecessem e desejou "Feliz Natal" a todos.
"Ouvi a voz do povo e vou sempre ouvi-la", afirmou.
Estudantes, ONGs, grupos empresariais, partidos de oposição, o clero católico, alguns antigos aliados e até a ex-mulher de Chávez, normalmente leal a ele, haviam se manifestado contra a reforma constitucional.
"A Venezuela disse 'não' ao socialismo. A Venezuela disse 'sim' à democracia", afirmou Leopoldo López, popular prefeito de um dos distritos de Caracas.
Admirado nas favelas e zonas rurais pobres da Venezuela, Chávez, de 53 anos, não esconde seu desejo de governar até morrer. Mas, sem uma reforma constitucional, terá de deixar o poder em 2013.
Três ministros haviam dito antes que Chávez venceria o referendo por uma margem de pelo menos seis pontos percentuais -- vantagem que foi sumindo conforme os resultados iam sendo divulgados.
(Com reportagem de Hugh Bronstein, Brian Ellsworth, Patricia Rondon)
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