América Latina

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007, 16:25 | Online

Chávez anuncia nova ofensiva para reformar Constituição

Em seu 1º discurso depois de reconhecer derrota, presidente classifica triunfo da oposição de 'vitória de merda'

Agências internacionais - REUTERS

O presidente Hugo Chávez comenta derrota no referendo ao lado de líderes militares

AP

O presidente Hugo Chávez comenta derrota no referendo ao lado de líderes militares

CARACAS - Depois de reconhecer a derrota para a oposição no referendo sobre a reforma constitucional na madrugada de segunda-feira, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta quarta-feira, 5, que seu governo iniciará uma nova ofensiva para garantir a aprovação do projeto.

 

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Deixando de lado o tom quase tímido com que aceitou o rechaço a seu projeto de reforma constitucional, Chávez foi à TV nesta quarta com um discurso eloqüente, no qual afirmou ter "tudo pronto" para tirar do ar os meios de comunicação que aderirem a um suposto plano golpista contra o seu governo.

 

"Recomendo que administrem bem sua vitória porque nós vamos de novo à ofensiva para a grande reforma constitucional", disse Chávez, dirigindo-se à oposição. O "não" às mudanças teve respaldo de 50,7% dos eleitores venezuelanos, enquanto que o sim contou com pouco mais de 49%.

 

O resultado do referendo representou a primeira derrota eleitoral de Chávez desde que foi eleito pela primeira vez, há nove anos.

 

No mesmo pronunciamento, o presidente alertou que seu governo estava preparado no domingo para "tomar fisicamente" os meios de comunicação social que se somassem a um suposto plano conspirador preparado por setores "golpistas" da oposição.

 

"Estávamos prontos, tínhamos tudo pronto para tirar do ar os canais que aderissem ao plano desestabilizador (...) Não é que estávamos prontos, é que estamos prontos. Não se enganem", disse o presidente, em declarações reproduzidas pelo diário caraquenho El Universal.

 

O presidente também classificou o rechaço à proposta como uma "vitória de merda" da oposição.

 

"Estão enchendo de merda (a vitória da oposição), é uma vitória de merda, e a nossa, chamem de derrota... Mas é de coragem, é de valor, é de dignidade", disse Chávez, usando uma camisa verde-oliva e rodeado pela cúpula militar do país.

 

O pronunciamento ao lado da elite castrista foi convocado pelo presidente para rejeitar os rumores que circularam na imprensa afirmando que ele teria sido pressionado pelos militares a aceitar a derrota. Chávez repetiu que tomou pessoalmente a decisão antes mesmo do fim da apuração.

 

Proposta popular

 

Embora esteja proibido por lei de reenviar sua reforma constitucional para uma nova apreciação popular, o presidente afirmou que o projeto pode voltar a ser discutido caso o Parlamento ou a população venezuelana apresentem um novo projeto. Segundo ele, uma versão simplificada do texto pode ser apresentada por iniciativa popular ainda durante seu mandato.

 

"No (atual) período constitucional eu já perdi o direito de apresentar uma proposta de reforma como iniciativa minha, mas o povo venezuelano tem o poder e o direito de apresentar uma solicitação de reforma antes que termine este período", disse Chávez.

 

No entanto, segundo constitucionalistas venezuelanos, algumas das emendas à Constituição propostas por Chávez com a reforma rejeitada no domingo eram ilegais, dado que a Carta em vigência determina que os "princípios fundamentais do texto constitucional" não podem ser modificados por uma reforma.

 

É o caso, por exemplo, de alguns dos itens mais polêmicos da reforma; entre eles a ampliação do mandato presidencial de seis para sete anos e o fim do limite à reeleição do mandatário. Com a proposta, o presidente também poderia restringir a liberdade de expressão em caso de "emergência". A oposição acusou Chávez de pretender acumular poderes de forma ditatorial, enquanto o governo dizia que a reforma serviria para aprofundar o "poder popular".

 

Caso a Constituição - implantada pelo próprio Chávez - não seja alterada por iniciativa popular ou do Congresso, o presidente prometeu entregar o governo ao fim de seu mandato, em 2013, mas disse que não abandonará a vida pública.

 

Decisão solitária

 

Além de afirmar ter tomado a decisão de reconhecer a derrota solitariamente, o presidente acrescentou que, se a apuração fosse até o final, haveria "empate técnico" ou até uma vitória do "sim".

 

"É o plano do império (EUA) para tentar continuar apresentando aos povos do mundo um Hugo Chávez irascível, cabeça quente (...), que continua sendo um tirano que é preciso matar ou que é preciso derrubar," afirmou.

 

O presidente também rejeitou os apelos à reconciliação feitos insistentemente por seus adversários desde a divulgação do resultado do referendo. Ele ainda pediu que a oposição avalie "sua vitória de Pirro, porque é preciso jogar isso na cara".

 

"(Aos) esquálidos (opositores) que estão fazendo contas, que acham que Chávez está debilitado, que está choroso, que tem a cabeça quente: desçam dessa nuvem, compadre. (...) Aqui tem Chávez para bastante tempo, aqui tem revolução para bastante tempo, a revolução chegou aqui para ficar."


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