América Latina
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007, 08:45 | Online
Dólares 'venezuelanos' pagariam campanha de Cristina, diz FBI
Polícia Federal americana prende supostos agentes do governo venezuelano ligados ao 'escândalo da maleta'
Agências internacionais
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O escândalo ameaça tumultuar a primeira semana de governo da presidente, que tomou posse na segunda-feira. Os detidos confessaram que, após a descoberta da maleta, tentaram criar documentos falsos para Antonini Wilson, para que este os utilizasse numa operação de acobertamento da origem dos fundos e de seus responsáveis
Segundo procuradores federais americanos, os quatro detidos confessaram às autoridades dos EUA que coordenaram e participaram de uma série de encontros com Antonini Wilson com o objetivo de ocultar a origem do dinheiro. Eles podem pegar 10 anos de prisão e multa de US$ 250 mil, afirmaram promotores americanos em nota na quarta-feira.
Segundo o promotor Thomas Mulvihill, um dos acusados disse, numa conversa gravada pelo FBI, que o dinheiro era para a campanha de Cristina. De acordo com um documento, depois que Antonini abandonou o dinheiro e retornou à Flórida, agentes venezuelanos tiveram uma série de reuniões com ele para pressioná-lo a esconder que o governo da Venezuela seria a fonte dos fundos. Os promotores disseram que os venezuelanos estariam "operando ilegalmente no sul da Flórida como agentes de governos estrangeiros".
O governo argentino não comentou o assunto na quarta-feira. Já o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que o caso é “parte da guerra política dos Estados Unidos contra o governo da Venezuela”.
Segundo a BBC, os venezuelanos Carlos Kauffman, Moisés Maionica e Franklin Durán e o uruguaio Rodolfo Wanseele, presos em Miami, seriam acusados de pressionar o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson – todos radicados no sul da Flórida - a transportar o dinheiro à Argentina, ameaçando seus filhos, segundo o jornal Miami Herald.
A alfândega argentina flagrou a mala com dinheiro quando o empresário venezuelano e autoridades do governo argentino chegavam em um jato particular à Argentina no dia 8 de agosto deste ano, dois dias antes do desembarque do presidente Hugo Chávez ao país. Na ocasião, o governo do presidente Nestor Kirchner pediu que o caso fosse investigado e que Wilson fosse extraditado à Argentina para dar explicações sobre o caso, que gerou demissões nos dois governos.
O episódio ficou conhecido, durante a campanha eleitoral, como "o caso da mala" e provocou a demissão do presidente da petroleira estatal venezuelana PDVSA na Argentina e vice-presidente geral da empresa, Diego Uzcategui Matheus.
O filho dele, Daniel Uzcategui Spetch, de 18 anos, foi acusado de ter convidado o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson a embarcar no jatinho alugado pela estatal argentina Enarsa, na viagem realizada entre Venezuela e Argentina, dois dias antes da chegada do presidente venezuelano a Buenos Aires. Quando surgiu o escândalo, o presidente Chávez disse que era "caso de polícia" e destacou tratar-se de mais uma ação "conspirativa" do "império americano".
(com Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo)
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