América Latina

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007, 19:05 | Online

Fujimori usa 'direito de silêncio' em 3a audiência sobre abusos

JEAN LUIS ARCE - REUTERS

LIMA - O ex-presidente peruano Alberto Fujimori se amparou no "direito de silêncio" nesta sexta-feira frente a perguntas sobre o poder que exerceu o ex-chefe de espiões Vladimiro Montesinos dentro de seu governo, na terceira audiência de um julgamento por abusos dos direitos humanos.

Montesinos, que para muitos agia na sombra de Fujimori, foi assessor de inteligência durante a gestão do ex-mandatário. Os promotores buscam a relação entre ambos na atuação de um esquadrão de morte que executou extrajudicialmente suspeitos de serem guerrilheiros.

Fujimori, 69 anos, se apresentou menos eloquente que em suas participações anteriores, mas foi agressivo e irônico em algumas respostas no julgamento sobre a matança de 25 pessoas nas mãos do esquadrão militar conhecido como "Colina" e o sequestro de opositores a seu governo.

Fujimori, que é acusado de homicídio, assassinato, lesões graves e sequestro, pode pegar 30 anos de prisão. Ele foi extraditado do Chile no final de setembro.

"Decidi me proteger no direito de silêncio", disse Fujimori quando a promotoria lhe perguntou sobre o poder e a influência que tinha Montesinos sobre seus funcionários e em seu governo entre 1990 e 2000.

Montesinos, que está preso acusado de corrupção e tráfico de armas, atuou sempre por baixo dos panos do governo de Fujimori e ao lado do ex-presidente com os militares.

Fujimori só reconheceu que Montesinos foi seu assessor em temas de inteligência e o ajudou com propostas para desenhar sua política "de sucesso" de luta contra a guerrilha maoísta do Sendero Luminoso.

A sessão durou quase sete horas, com recesso de duas horas, e recomeça na segunda-feira.

(Reportagem de Marco Aquino)

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