Domingo, 3 de Agosto de 2008 | Online
Diário de Bordo: Londres
Reencontro com uma cidade ainda mais charmosa e agitada
Fernando Dantas
Quando fui incumbido da missão de preparar uma matéria sobre Londres para a revista das Megacidades, que começava a ser concebida, no início do ano, meu primeiro pensamento foi sobre o impacto, até emocional, de revisitar a cidade onde morei durante dois anos entre 1998 e 2000, como correspondente da Gazeta Mercantil. Havia razões de sobra para a nostalgia, até porque lá nasceram as minhas duas filhas gêmeas, em setembro de 1998.
Na área específica de urbanismo e arquitetura, pude constatar que a cidade compreendeu de forma quase definitiva que o carro não pode ser o meio de transporte por excelência de uma megalópole. Apostar neste caminho é optar por engarrafamentos, poluição e pela esgarçadura do tecido urbano em direção aos subúrbios. Este último efeito, por sua vez, pode esvaziar e degenerar a parte central, onde se desfruta em máxima intensidade de toda a deliciosa riqueza social, cultural e econômica que a aglomeração humana em uma grande cidade costuma oferecer. Assim, Londres é pioneira no pedágio urbano na parte central (o que não foi desfeito com um pequeno recuo do novo prefeito, Boris Johnson, em relação aos carros mais potentes), e 90% ou mais das pessoas que trabalham na City financeira usam o transporte público.
Mas o grande problema urbanístico de Londres, ironicamente, é conseqüência do próprio sucesso. A cidade virou um dos pontos preferidos de moradia e trabalho para ricaços e financistas, o que levou os preços dos imóveis centrais para níveis estratosféricos. Com isto, há o risco de que a capital britânica transforme-se numa cidade de ricos e pobres (que moram em habitações subsidiadas), com a classe média sendo exilada para os subúrbios, não pelos congestionamentos, mas pela impossibilidade de arcar com os custos de morar na parte central. Este é o principal tema da nossa matéria sobre Londres.

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